"Olha, Rodrigo, não dá mais. Em todas as cenas, eles me colocam sentada. Faço exercícios todos os dias. O que eles estão pensando?" É com carinho e uma dose de espontaneidade que Rodrigo Lombardi se recorda da saudosa Cleyde Yáconis, com quem contracenou na novela "Passione", em 2011. "Sempre aprendi muito com essa gerações de grandes atores", disse Rodrigo, ao Estado, desta vez, acompanhado de Sérgio Mamberti. Os dois contracenam em "Um Panorama Visto da Ponte", que está em cartaz até 25 de novembro no Teatro Raul Cortez (rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista), na capital. As sessões são às sextas-feiras, às 21h30, aos sábados, às 21 horas, e aos domingos, às 18 horas. Mais informações no site http://www.fecomercio.com.br.
Mesmo sendo considerada um clássico da dramaturgia, a peça de Arthur Miller, de 1955, sempre concorreu com suas outras criações: as antecessoras "Morte de Um Caixeiro Viajante" (1949) e "As Bruxas de Salém" (1953). No Brasil, a segunda chegava em 1960, com direção de Antunes Filho, lembra Mamberti. "Foi uma coisa que todos estranharam. Tanto pelo tema como pela forma que o diretor conduziu aquela história sombria."
Em "Um Panorama Visto da Ponte", o autor descreve a vida de uma família de imigrantes italianos. Eddie Carbone (Rodrigo Lombardi) é um trabalhador das docas do Brooklyn que vive com a mulher Beatrice (Patricia Pichamone) e a sobrinha Catherine (Gabriella Potye). A chegada dos primos Marco (Antonio Salvador) e Rodolfo (Bernardo Bibancos), ilegais no país, torna-se centro de uma disputa, nem sempre expressa em palavras. Rodolfo e Catherine se apaixonam e o patriarca percebe que seu lar e seus sentimentos foram desrespeitados. "Eddie tem uma ingerência sobre a própria vida", aponta Lombardi, que na tevê, ainda interpreta Adriano na série Carcereiros, cuja primeira temporada continua no segundo semestre, na Globo, com mais oito episódios.
As perguntas desesperadas da mulher do personagem de Lombardi nunca dão conta de acessar o universo sombrio de Eddie, transmitido em ciúmes e raiva crescentes. Quem regula a energia destrutiva do italiano - ao menos tenta - é o advogado Alfieri vivido por Mamberti que, nessa montagem, ultrapassa o estatuto de narrador da peça. No ensaio aberto antes da estreia, o ator de quase 80 anos demonstra a força e a clareza de uma geração forjada desde os clássicos do Teatro Brasileiro de Comédia até o experimentalismo de O Balcão, na versão de Victor García, da qual Mamberti participou. 
Para a dupla que trabalhou pela primeira vez na novela "O Astro" (2011), a peça também é motivo para pensar o mundo e a situação do Brasil. A crise imigratória continua sendo debatida na Europa e nos Estados Unidos, e começa a surgir no país com os haitianos e venezuelanos que passaram a fronteira brasileira nos últimos meses.