Para ser um grande dublador, primeiramente, a pessoa que deseja ingressar nesta área precisa ser um bom ator. É o caso de Flavio Dias D'Oliveira, que terminou o seu curso de Arte Dramática na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA) em 1975.  
Desde então, ele acumulou diferentes trabalhos como ator de teatro e participações em novelas da Rede Bandeirantes e SBT. "Atuei em 'Um Homem Especial', na Band, na minissérie 'Boca de Lixo', exibida em 1980 na Globo, e, também, fiz várias novelas no SBT, como 'A Ponte de Amor', de 1983, 'Os Ricos Também Choram', de 2005, e 'Uma Rosa com Amor', de 2010", enumerou o artista. 
Mas foi no teatro que o seu talento era notado. Nestes 43 anos de profissão,  ele atuou, dirigiu e fez muitas peças, mas, com a agenda lotada por conta das dublagens, ele não consegue mais voltar aos palcos. "Não consigo mais atuar por causa do tempo. Moro em Mogi e trabalho em São Paulo, não tenho mais disponibilidade para participar de ensaios para subir no palco e mostrar o que eu sei fazer", contou.
Em Mogi das Cruzes, Flavio fundou a Companhia Radiophonica de Theatro em 1989, onde trabalha com três focos: Teatro Corporativo e arte-educação escolar, pesquisa de linguagem teatral e produções de diversos gêneros e estilos.
No entanto, essa companhia surgiu depois de uma peça de teatro produzida pelo mogiano, intitulada "Rádio Marabá ZYI-9", que narrava casos de Mogi das Cruzes com um tom de comédia. Abordava, por exemplo, enchentes, roubos a comércios e outros acontecimentos que ocorriam entre os anos 1960 e 1970. "É uma vida voltada para a arte. Espero que neste mês não  tirem a obrigatoriedade do Documento da Delegacia Regional de Trabalho (DRT) para atores, senão, todo o estudo que tive vai por água abaixo", desabafou, referindo-se à possibilidade da extinção do Registro Profissional para artistas, que será votado no dia 26 de abril no Supremo Tribunal Federal. (G.G.)