Neste domingo, o Galpão Arthur Netto recebe, às 20 horas, o clássico espetáculo teatral "Quando as Máquinas Param", escrito pelo reconhecido dramaturgo paulista Plínio Marcos. A peça vem de algumas temporadas em São Paulo, com reconhecimento de público e crítica. E, além de um elenco afinado, com Kelly di Bertolli e Rodrigo Caldeira, traz um aspecto peculiar. Ela é dirigida pelo filho de Plínio Marcos, o diretor e também autor Léo Lama, que há 21 anos não montava uma peça escrita pelo pai.
Ingressos antecipados podem ser adquiridos no próprio Galpão, ou reservados por telefone ou pela página do Facebook. Eles estão à venda por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meias-entradas). O espaço cultural fica localizado na rua Fausta Duarte de Araújo, 23, no Jardim Santista, em Mogi das Cruzes. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3433-9841. A classificação indicativa é de 10 anos.
Em 2017, "Quando As Máquinas Param" completa 50 anos e, em seu jubileu, nunca esteve tão atual. Esta ousada montagem fez sucesso nas três primeiras temporadas em São Paulo, entre 2011 e 2013, marcando o desjejum de Léo Lama. A sua proposta nesta montagem é baseada em "O Ator em Repouso", criada pelo próprio diretor. "Trata-se de um representante do ser humano em cena, parado, sem gestos, sem qualquer tipo de movimento externo. Um manifesto contra o massacre que o corpo humano vem sofrendo ao longo dos séculos, desde as imagens de sua pretensa pré-história que o assemelha a um macaco, passando por Auschwitz, até os dias de hoje, onde corpos são comparados a produtos de consumo", explica Lama. A pesquisa teatral "O Ator em Repouso" procura oferecer ao espectador uma imagem do vazio. Um descanso do excesso.
"Quando as Máquinas Param" atualiza o original, dando-lhe o contorno de um clássico. A peça teve duas versões. A primeira, "Enquanto os Navios Atracam", foi escrita e encenada em 1963, no Teatro de Arena. Em 1967, já com o nome definitivo e um personagem a menos, estreou em uma sala do Teatro Brasileiro de Comédia. Já foi encenada por nomes consagrados, como Tony Ramos, Luis Gustavo, Valderes de Barros e Edu Silva.
Os cenários políticos nacionais de quando a peça foi escrita e atuais trazem diversos paralelos interessantes e torna a produção atual: recessão econômica, aumento dos índices de desemprego, crises e ataques institucionais e falta de garantias aos trabalhadores. Esse é o pano de fundo para a história desse casal tão humano. A violência doméstica resultante deste processo também encontra paralelos históricos.
O inspirador
Plínio Marcos (1935-1999) foi ator, diretor, escritor marginal, um dos principais dramaturgos na época da ditadura militar. Autor de inúmeras peças teatrais, dentre outros escritos, não mediu palavras quando disse em certa entrevista que "se o Brasil continuar nesse rumo, meus textos virarão clássicos". Sempre engajado em contextualizar a situação do País em sua dramaturgia, nunca mediu esforços para traduzir as falas e os conflitos do povo brasileiro.
A interpretação de Kelly Di Bertolli e Rodrigo Caldeira leva o público a imaginar as personagens e os cenários em suas mentes. Muitos, até mesmo pessoas que nunca haviam ido a um teatro, comparam a experiência a de se estar lendo um livro. Kelly e Rodrigo conseguem atingir a humanidade que existe nas personagens de Plinio Marcos, fazendo com que cada espectador também se reconheça naquela mesma situação.
O enredo
"Quando as Máquinas Param" traduz as angústias de Nina e Zé em um casamento fragilizado pela recessão e o desemprego. Em meio a ondas de demissões e à falta de perspectiva devido à baixa qualificação, a única distração de Zé é jogar bola com os meninos na rua. Nina torna-se a provedora da casa costurando roupas e recebendo ajuda de sua mãe, algo inaceitável para Zé, orgulhoso. A situação se agrava com a gravidez inesperada, quando Zé teme não poder sustentar o seu grande sonho de ter um filho: o aborto surge como opção, mas Nina quer ter o filho.