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Angela Figueiredo e Fernanda Cunha estão em cena para falar sobre o mundo feminino, das mulheres à margem da sociedade, das relações afetivas, de laços familiares, do amor e da falta de amor, da amizade e da solidão. Atrizes de gerações diferentes, tendo em comum a paixão por seu ofício, elas desenvolvem uma parceria artística e de produção, desde que se conheceram no II Festival de Peças de Um Minuto do Grupo Parlapatões, em 2010.
"Noites Sem Fim" é a segunda montagem da dupla com a Cia. As Moças, e será apresentado nesta terça-feira, às 20 horas, no Teatro Vasques (rua Dr. Corrêa, 515, largo do Carmo), em Mogi. A entrada é gratuita. A peça faz parte da programação do Festival de Inverno Serra do Itapety, que acontece até o fim do mês na cidade.
A direção geral é de Marco Antônio Pâmio, que chegou ao projeto de forma natural, primeiramente ajudando na negociação dos direitos autorais. Em seguida, ao ler o texto, conhecendo o trabalho anterior das atrizes, aceitou o convite para dirigir o projeto. Pâmio trouxe Marco Aurélio Nunes para fazer a tradução do texto, Cássio Brasil para os figurinos e cenário, Fran Barros para o desenho de luz, Branco Mello e Ricardo Severo, em parceria inédita, para a trilha sonora.
O texto da autora inglesa Chloë Moss conta a história de duas ex-presidiárias que se tornaram amigas dentro da cadeia, mas que, provavelmente, nunca teriam se conhecido fora da prisão. Lorraine, uma cinquentona que cometeu um crime grave, acaba de ser libertada, e logo procura por Marie, 30 anos, que saiu há mais tempo, e mora numa quitinete mínima com moveis velhos e uma televisão. Ela cometeu um crime mais brando e está sem perspectivas.
Durante a primeira semana de liberdade de Lorraine, a relação das personagens se aprofunda e se transforma a partir da suposta liberdade recém-conquistada e do contato com pessoas e histórias do passado. A força do que houve antes é tão grande, que elas se obrigam a reproduzir a amizade e parceria estabelecida na cadeia. Intenso e por vezes divertido, o texto procura levar o público ao mundo das personagens e faz refletir sobre o processo de reintegração na sociedade.
Inspiração
Em 2006, a autora Chloë Moss fez residência de escritora no Presídio Cookham Wood, na Inglaterra, recolhendo material para a criação deste texto. Ela conseguiu tratar o tema sem estridências, trazendo verdade e o cuidado ao viés social abordado na peça com paixão. As duas personagens são inspiradas em várias detentas que a autora conheceu. Chloë passou três meses convivendo com as presidiárias, e seu desafio foi decidir entre o que escrever, pois obteve mais de 50 possibilidades de histórias diferentes.
A apresentação desta terça-feira será a única em Mogi. O espetáculo da Cia. As Moças está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, localizado no centro de São Paulo, até o dia 31 de julho, com sessões todos os dias, exceto às terças-feiras.
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