A partir do argumento da fábula "A Pedra Arde", do escritor uruguaio Eduardo Galeano, o grupo Teatro D'Aldeia, de São José dos Campos, criou o espetáculo infantojuvenil "Cicatrizes", que fala destas "marcas" físicas, emocionais e simbólicas para os mais jovens. Nesta sexta-feira, às 20 horas, o Galpão Arthur Netto recebe o espetáculo que dá continuidade da pesquisa iniciada com "Um Dia Ouvi a Lua" (2010) e "Almas Abaixo de Zero" (2012), ambas com a Cia. Teatro da Cidade. Os ingressos são no chapéu. Informações pelo telefone 3433-9841 ou pelo e-mail [email protected]. O Galpão fica na avenida Fausta Duarte de Araújo, 23, Jardim Santista, Mogi. 
O espetáculo tem como proposta pedagógica ligar a questão das cicatrizes à importância de se ter uma memória, do aprendizado, das relações emocionais e afetivas. "As coisas feitas ao vivo, não de forma virtual. De forma presencial. Coisas reais. As relações e situações reais oferecem mais riscos do que as virtuais, isso é certo. E as cicatrizes são sempre a parte mais visível e marcante desse risco", define o grupo teatral em seu material sobre o espetáculo.
Após a leitura do texto de Galeano, em que se baseia a peça, o grupo afirma que é ainda mais evidente quanto as cicatrizes são importantes. São apontadas como experiências individuais, que ajudam a contar a história de vida de cada um. O objetivo é falar de um tempo em que havia o risco latente de se viver, como uma criança brincando de pião, bolinha de gude, futebol na rua. O grupo busca resgatar os riscos latentes a estas brincadeiras, como a queda, o escorregão, um arranhado, um osso quebrado, uma pele esfolada. "Somos o resultado da história que vivemos. Cicatrizes internas e externas. Os ritos de passagem, a memória viva de cada passagem da vida sempre deixa marcas", destacam.
Trajetória  
O Teatro DAldeia foi formado a partir do encontro das atrizes Adriana Barja e Ana Cristina Freitas e dos atores Vander Palma e Wallace Puosso. A história começa há 10 anos em uma montagem de Nelson Rodrigues da Cia. Teatro da Cidade, grupo do qual os atores participaram durante muitos anos. Após esta obra, o quarteto partiu para estudos do universo caipira -
através do olhar sensível do dramaturgo Luis Alberto de Abreu - e assim iniciaram o processo de montagem do espetáculo "Um dia Ouvi a Lua", direção de Eduardo Moreira do Grupo Galpão, de Belo Horizonte (MG). O espetáculo marcou a história do grupo, sendo apresentado em várias cidades do Brasil e da Europa, proporcionando muitas histórias e experiências.
Durante sua trajetória, o grupo desenvolveu uma maneira muito peculiar de ministrar cursos e oficinas, percebendo quanto suas afinidades e individualidades se completavam e poderiam colaborar para a formação de atores. O nome "Teatro DAldeia" projeta o desejo do grupo de trazer de volta os rituais e de manter uma atitude simbólica diante da vida. "Tendo a lua sob o signo de nossa sensibilidade e do desejo de criar, sensibilizar e encantar o homem com a nossa arte", definem. No dia 17, o grupo se apresentou no Espaço Opereta, em Poá.