Música brasileira de tradição africana é assim que o grupo Runsó define seu trabalho, direcionando seus estudos às diversas manifestações da cultura oriundas do continente africano. Eles são a atração desta sexta-feira, às 21 horas, no Casarão da Mariquinha (rua Alfredo Cardoso, 2, largo Bom Jesus, Mogi das Cruzes). Os ingressos custam R$ 15. Mais informações pelo telefone 3374-1844. Conheça mais sobre o Runsó em www.soundcloud.com/runso.
Conhecedores da complexidade e das infinitas possibilidades desse mergulho na cultura africana, o grupo criou um diálogo entre a cultura brasileira, o índio, o negro e o branco, como uma pequena ilha rodeada de água e com muitos mistérios à sua volta. O registro musical é uma "fotografia" do ano de 2015 proposta pelos músicos Giovanni Di Ganzá, Adonai de Assis, Hércules Laino, Nlá Madê Muana e Daniel Laino, que buscam, por meio de seu trabalho, trazer a harmonia, as dissonâncias, os ritmos e os devaneios vividos por eles neste período, especialmente.
Este ano, muita coisa mudou, e a tarefa do grupo agora é ampliar o registro sonoro para além do enquadro fonográfico, para além da ilha, descobrindo as nuances onde as "minorias" aparecem no cotidiano. "Revelando a hipocrisia, porque já sabemos e temos consciência da herança de nossos ancestrais indígenas e africanos, adiantando um perdão pelo reducionismo destas denominações, pois tratam-se de povos de diversas etnias, com costumes, crenças e idiomas próprios que se espalham em dois vastos continentes -, nuances que não são somente a já tão grande contribuição à arte, mas revela-se em nosso alimento, vestuário, nosso modo de caminhar, falar, amar, sentir. Sinta-se à vontade. Somos parte de um todo, é tudo nosso! Olorum", destaca o grupo.
A proposta do Runsó evoca um campo híbrido - universo da mitologia africana, espetáculo ritual/concerto musical, cultura tradicional/erudita, entre tantos,- enaltecendo a convivência harmoniosa de tambores, música popular e canto lírico, assim, possibilidades de pesquisa e conhecimento, que afloram novos símbolos para se "contar" a história da diáspora negra no Brasil.