Neste sábado, a partir das 19 horas, o público mogiano poderá conferir uma atração teatral que já conquistou a crítica de todo o Estado e que tem íntima relação com Mogi das Cruzes. É o monólogo "Cartas Libanesas", montagem protagonizada pelo ator mogiano Eduardo Mossri e que foi escrita a partir de uma pesquisa do ator sobre a sua própria família. Trata-se de uma forma de Mossri homenagear sua família e sua cidade natal, além de ser mais um trabalho de destaque do profissional, que já conquistou palcos dentro e fora do país.
A apresentação será na Sala Multiuso Wilma Ramos, no primeiro andar do Centro Cultural de Mogi das Cruzes e a entrada é gratuita. Aos interessados, a orientação é chegar com uma hora de antecedência para a retirada dos ingressos. O Centro Cultural fica na praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, 360, no centro.
O espetáculo começou a ser concebido quando Mossri encontrou um calhamaço de cartas pertencentes à sua avó, Emilia Mossri, todas escritas em árabe. Apesar da descendência libanesa, o ator não dominava a língua, e levou o material a um grande amigo que fez nos tempos da faculdade, o dramaturgo José Eduardo Vendramini, a quem coube o trabalho de tradução. A partir daí, Mossri mergulhou numa profunda pesquisa sobre as suas origens e também sobre a história da imigração libanesa para o Brasil.
O resultado foi o monólogo dramático "Cartas Libanesas", cujo texto foi indicado a dois prêmios em 2015 - um foi o prêmio Shell e a outra indicação partiu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A atuação de Mossri, que tem apenas o microfone e uma mala como elementos de interação em palco, também foi amplamente aclamada pela crítica. A direção e iluminação são de Marcelo Lazzarato, outro nome forte do circuito cênico paulista.
Reflexão
No palco, Mossri dá vida à Miguel Mahfouz, um jovem libanês que vem para o Brasil com o intuito de prosperar financeiramente e retornar na sequência ao Líbano, onde deixou sua esposa grávida. Após anos de sofrimento e trabalho, Mahfouz se descobre apaixonado pela nova terra e decide convencer a mulher a vir morar com ele no novo país. "A peça é a história de um mascate, contada por um ator mascate, que resgata suas próprias histórias para refletir sobre a imigração. É uma ode de amor e gratidão a todos aqueles que imigraram e enriqueceram nossa identidade cultural", comenta o ator.
O diretor Marcelo Lazzaratto optou por priorizar a voz do ator e os sons da trilha para encenar este texto. Enquanto o ator interpreta as angústias, as conquistas e aventuras de Miguel, a trilha composta por Gregory Slivar invade o palco. O figurino, criado pelo estilista Fause Haten, traz cores claras, desenhando a elegância masculina do início do século XX. Já o cenário, assinado por Renato Bolleli, tem propositalmente poucos elementos cênicos.
A peça já foi apresentada em locais como o Sesc Ipiranga, Sesc Santo Amaro, Teatro da Livraria da Vila Pátio Higienópolis, todos em São Paulo, além de muitos teatros e bibliotecas da capital paulista. O ator também percorreu o interior do Estado com o monólogo, passando por cidades como Bauru, Ribeirão Preto e Piracicaba -
nesta última cidade, foi recebido com louvor pela crítica durante a 10ª edição do Festival Nacional de Teatro de Piracicaba (Fentepira).