O fim de semana será agitado no Casarão da Mariquinha, em Mogi das Cruzes. A casa de cultura receberá o capixaba Jonathan Silva amanhã, às 21 horas, e, no sábado, a banda As Bahias e a Cozinha Mineira. Os ingressos são vendidos no próprio espaço, que fica na rua Alfredo Cardoso, 2, no Largo Bom Jesus, no centro. Informações podem ser obtidas pelo telefone 3374-1844.
Silva veio do Espírito Santo para São Paulo em 1999. "No início, São Paulo assusta, parece que vai engolir a gente. Depois, percebemos que o paulistano gosta de um batuque na cozinha, no quintal", diz o músico. "Vim para fazer música, teatro e amigos. Consegui tudo isso", comemora.
Ansioso para o show desta sexta-feira, Silva conta que esta não será a sua primeira vez na cidade. "Volta e meia eu faço shows em Mogi, é uma energia que faz bem para a alma". O início dessa proximidade com a região foi no Galpão Arthur Netto, onde conheceu músicos como Aline Chiaraddia, Lívia Barros e Gui Cardoso.
"Acabei conhecendo o Rabicho Luís, coordenador do Casarão da Mariquinha, que me fez o convite para cantar no espaço e eu topei na hora. O nosso maior desafio como músico independente é conseguir espaço para fazer shows, mas é um desafio que inspira e motiva. Sempre que eu faço show em Mogi espero uma troca intensa, repleta de energia boa. Sexta-feira vai ser um encontro de música, amor e poesia", afirma.
O músico lançou três discos com canções autorais ao longo de sua carreira. O primeiro deles, "Necessário", foi lançado em 1996, quando o cantor ainda estava em Vitória, cidade onde nasceu. O segundo álbum, "Benedito", é de 2008, quase dez anos depois de chegar à capital paulista. O último deles, "Precisa-se de Compositor com Experiência", foi apresentado ao público em 2015. "O espaço entre os discos se deve mais pela falta de dinheiro. Inspiração para compor e fazer música, isso não falta. O que falta, às vezes, é investimento para pagar o estúdio e outras pendências. Mas, aos poucos, o trabalho está seguindo, e estamos felizes com o resultado", explica.
De acordo com Silva, as suas referências vêm de diferentes fontes, e vão desde a sua mãe cantando na cozinha até o congo do Espírito Santo. Geraldo Pereira, Itamar Assumpção, Luis Tatit, Nelson Cavaquinho, as Caixeiras do Divino, Kiko Dinucci, Luiz Gonzafa, Adelia Prado e Carlos Drummond também entram na lista. "O jongo, o congo e o baião são sonoridades que fazem parte da cultura brasileira e me contaminam, povoam a minha cabeça e entram na minha música", revela.
Esta musicalidade que Silva esboça na rua, no metrô, andando a pé ou lavando louça. "As vezes é uma ideia que vai virando texto, poesia, melodia. Depois eu gravo, anoto, trabalho a canção em casa", conta. "Minhas composições falam de personagens que andam por aí, no metrô, no trem... O músico que toca na entrada do metrô, a moça que resolveu viver uma relação aberta e sofreu com isso, a vizinha que chama a polícia para acabar com o som dos tambores, essas coisas que estão por aí, como poesias soltas", destaca.
Além da carreira como músico, Silva tem uma forte relação com o teatro. "Sou apaixonado pelo meu trabalho no teatro. Trabalho com a Cia. São Jorge, Cia. Do Tijolo, Teatro do Osso, entre outras. Algumas vezes, acompanho os ensaios e componho a trilha, outras, componho e atuo, toco e canto", finaliza.