A Cia. Radiophônica de Theatro será a responsável pela primeira apresentação teatral na Livraria Boigy, em Mogi das Cruzes, nesta terça-feira, às 19h30. E, para marcar esse momento, o grupo levará para o público uma temática constantemente debatida: a mulher. Em "Memórias de Eva e Lilith" as atrizes Jaqueline Vieira e Waleska Firmino fazem um breve panorama da condição feminina durante uma hora de espetáculo. A Livraria Boigy fica na rua José Bonifácio, 485, centro. Os ingressos são limitados, custam R$30.
Abordar esse tema foi um instinto natural. "A política feminista igualitária é defendida pela linha filosófica da companhia, assim como a defesa do meio ambiente, o bem-estar dos animais, os direitos humanos plenos e outras bandeiras, e nossos espetáculos refletem nossa filosofia", diz Waleska Firmino.
A peça conta a história de Eva e Lilith, apontadas como as primeiras mulheres na terra. "Lilith surge entre os povos muito antigos e ficou mais conhecida na Cabala. Na Bíblia que conhecemos hoje, ela não é mais citada, foi retirada há séculos por convenção da Igreja Católica. Eva teria sido a segunda mulher de Adão", contextualiza a atriz.
No palco, as personagens continuam suas jornadas até os dias atuais, e encontram-se esporadicamente, compartilhando com a plateia velhas cartas, lembranças e fotografias, que surgem com álbuns de recordações.
Waleska Firmino afirma que esses momentos para reflexão são importantes. "O próprio teatro tem um papel social, mesmo quando é puro entretenimento. É importante promover a reflexão. A política partidária atual deu margem a um protesto nas redes sociais, mas nossa arte é laica e apartidária. Como cidadãos, podemos ter opiniões, que são privadas. Defendemos o direito de a mulher ser quem quiser", ressalta.
A apresentação será feita em formato de arena, em círculo, considerado ideal para plateias reduzidas, o que é o caso do evento. Atores e público ficam próximos uns aos outros, de forma que a intimidade das personagens com os participantes do encontro faz parte do jogo cênico. "Essa é uma peça que já faz parte do repertório da trupe, mas os espetáculos são vivos, sofrem modificações, amadurecem. Quando marcamos uma data, nós reensaiamos", diz.
Apesar dos pontos de reflexão, a companhia teatral espera divertir o público. "Esperamos mulheres de várias idades, amigos que já conhecem nossas pesquisas e homens inteligentes que vejam as suas mulheres como iguais", finaliza.
A peça é encenada por Jaqueline Vieira e Waleska Firmino, possui direção musical e performance ao vivo de Eliézer Ramos. Waleska é também responsável pela concepção, dramaturgia e direção de arte e a direção fica por conta de Flavio Dias.
Cia. Radiophônica de Theatro
O grupo surgiu em Mogi das Cruzes, em 1998, como amador. O "Th" no nome foi mantido como charme, um apreço pela qualidade do teatro antigo, que de acordo com Waleska, se perdeu. O grupo possui uma linha despojada de trabalho, usando objetos e raramente cenários. "Nós gostamos de trabalhar em espaços alternativos, pesquisamos a linguagem da semiótica, o significado dos objetos em cena e a modificação segundo o uso", explica.
A companhia conta com seis atores e atrizes, mas sempre têm convidados. Entre os espetáculos produzidos estão "O Sertanejo", "A Nova Turma", "Viagem à China", "O Sétimo Sentido", "El Baul Gitano" e "Vinícius, Feminino, Plural".