O trabalho voltado a crianças e adolescentes atendidos em serviços de acolhimento de Suzano alcançou um novo patamar nesta terça-feira (26/05) com o lançamento do programa de apadrinhamento "Acolher com o Coração", fruto de uma parceria entre a administração municipal e a 1ª Vara da Infância e Juventude da Comarca da cidade. A cerimônia, realizada no Anfiteatro Orlando Digenova, no centro, celebrou o início do novo ciclo da iniciativa, que já cadastra interessados por meio do link http://bit.ly/ProgramaDeApadrinhamento.
A partir deste momento, o programa, que já era desenvolvido no âmbito local, passa a ser potencializado por meio da ampliação das modalidades de apadrinhamento, que aumentam as possibilidade de vínculo entre cidadãos e empresas com os munícipes de zero a 18 anos que vivem nos três serviços de acolhimento institucional que funcionam na cidade.
As perspectivas que se abrem para transformação da realidade de crianças e adolescentes mobilizaram autoridades municipais, que participaram deste momento tão simbólico, incluindo o prefeito Pedro Ishi; a presidente do Fundo Social de Solidariedade, primeira-dama Déborah Raffoul Ishi; o vice-prefeito Said Raful; o presidente da Câmara de Suzano, Artur Takayama; o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Geraldo Garippo; o juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Suzano, Heitor Moreira de Oliveira; o promotor Eduardo Correia Adão da Silva; e a defensora pública Cristiane da Cruz Oliveira.
A importância da sistematização deste programa, que passa a funcionar mediante os parâmetros instituídos no artigo 2º da Portaria 01/2025 da Vara da Infância e Juventude local, foi devidamente comprovada pela psicóloga Sabrina Almeida, que é de um dos serviços de acolhimento que funcionam em parceria com a prefeitura.
Durante a atividade, a profissional trouxe argumentos e dados que mostram como as diferentes modalidades de apadrinhamento, incluindo a que traz o vínculo afetivo, podem ser determinantes para o futuro de crianças e adolescentes que não se enquadram no perfil mais procurado para adoção, como os que estão na faixa etária que fica entre os 5 aos 17 anos.
"Aqueles que são acolhidos viveram rupturas familiares sucessivas e a sensação de não pertencimento, e, por isso, têm dificuldades na construção de vínculos, com necessidade de segurança afetiva para seu desenvolvimento emocional. Assim, novos vínculos saudáveis podem transformar a maneira como eles passam a enxergar a si mesmos, o outro e o próprio futuro", disse Sabrina.
Para ilustrar o cenário, foram compartilhados números que demonstram as dificuldades encontradas para que essa realidade possa ser transformada. Conforme destacado, os dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), das 34,4 mil pessoas pretendentes a adotar no Brasil, apenas 0,3% tem interesse em optar por adolescentes.
Na realidade local, 57 munícipes estão neste momento sendo acolhidos nos três serviços de convivência, sendo que 13 não tem o perfil que é mais procurado para adoção. Este é justamente o público para o qual se buscam os padrinhos afetivos, com os quais poderão ser estabelecidos vínculos de convivência de fato, com encontros periódicos que poderão ser alinhados junto à Vara da Infância e Juventude.
Outras modalidades
Esse novo ciclo de atividades do programa não traz como novidade apenas a sistematização por meio de um instrumento jurídico específico, mas também amplia as possibilidade de apadrinhamento, não apenas o vínculo afetivo, como outros tipos de vínculos, que podem contemplar todos os 57 acolhidos com o desenvolvimento educacional e profissional e estrutura para os próprios serviços de acolhimento. Tudo isso visa prepará-los para maioridade, mercado de trabalho e autonomia na vida adulta.
Uma das modalidades é a "prestação de serviços", que permite que profissionais ou pessoas jurídicas possam contribuir com atividades relacionadas à cultura, lazer, educação, saúde ou formação profissional, dentro ou fora da instituição, alinhadas à sua área de atuação, mediante plano de atividades previamente definido.
Outra possibilidade é o "suporte financeiro", que proporciona que os padrinhos colaborem com cursos profissionalizantes, reforço escolar, práticas esportivas, aprendizado de idiomas e outras necessidades específicas dos apadrinhados.
Há ainda o "apoio material", que garante a doação de recursos, equipamentos, utensílios, móveis e outros bens às crianças, adolescentes, suas famílias ou às instituições de acolhimento. Já o "desenvolvimento educacional e profissional" permite que padrinhos patrocinem cursos profissionalizantes, vagas de estágio ou aprendizagem, respeitando a legislação vigente sobre o trabalho protegido de adolescentes.
Repercussão
O juiz Heitor Moreira de Oliveira, que idealizou essa nova proposta para o programa, afirmou que a ampliação do programa vem para reforçar a rede de acolhimento de Suzano. "Encontramos aqui na cidade um trabalho bem estruturado nos diferentes aspectos que estão associados aos serviços para crianças e adolescentes, mas entendíamos que era necessário promover uma soma de esforços que permitisse um fortalecimento do programa de apadrinhamento, para garantir um aumento do número de modalidades e maior visibilidade junto à população", declarou o magistrado.
O presidente da Câmara reforçou que essa é mais ação fundamental para melhorar a qualidade de vida do público que é atendido nos serviços da cidade. "Temos que parabenizar a prefeitura e a Vara da Infância e Juventude por implementarem as novas mudanças no programa, que ampliam as possibilidade de apadrinhamento para garantir uma vida mais próspera a quem mais precisa", pontou Artur Takayama.
A primeira-dama frisou que o avanço desse trabalho só tem sido possível pela soma de esforços em torno dessa causa. "Ficamos muito felizes em ver um auditório cheio de pessoas comprometidas com o futuro de crianças e adolescentes. Temos certeza de que todo o trabalho traz uma perspectiva positiva em todos que estão envolvidos neste trabalho e, principalmente, a quem está nos serviços de acolhimento, que buscam referência e apoio para seguirem suas vidas", disse Déborah.
O secretário Geraldo Garippo destacou que o programa se alinha ao trabalho que pretende garantir os direitos desse público. "Eles tiveram seus direitos negados em algum momento de suas histórias, por terem perdido a convivência familiar. Assim, a prefeitura e Poder Judiciário também precisam do suporte da sociedade para transformar essa realidade, que pode passar a ser de experiências positivas construtivas, com mais amparo, mais afeto e mais possibilidades", ressaltou o titular da pasta.
Por sua vez, o prefeito garantiu que Suzano caminha para se tornar uma cidade cada vez mais humanizada. "Queremos mais do que abraçar essa nova proposta, com a ampliação das possibilidades de apadrinhamento, mas queremos transformar esse programa em lei, para que seja replicado todo ano. Nosso papel é fazer o que cabe a nós e sensibilizar a sociedade para estar conosco neste processo. O apadrinhamento muda a vida de quem ajuda e especialmente de quem é apadrinhado. Convocamos todos a se inscrever e dar o amor e a estrutura que as famílias dos acolhidos não conseguiram proporcionar, por diferentes motivos", sublinhou Pedro Ishi.
Também participaram da cerimônia os secretários municipais Paulo Pavione (Comunicação Pública), Afrânio Evaristo da Silva (Chefia de Gabinete), José Luiz Spitti (Cultura) e Ceśar Braga (Controladoria Geral); e os diretores da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, Regiane Marques e Carlos Araújo. Pelo Legislativo, ainda esteve presente o vice-presidente da Câmara, vereador Marcos Antonio dos Santos, o Maizena.
Ainda marcaram presença a presidente do Conselho Tutelar I, Jaqueline Esteves; a presidente do Conselho Tutelar II, Ely Tavares; além das conselheiras Valdete Ramos, Francisca Xavier, Aparecida Dias e Vanessa Ângelo; e a advogada Patrícia Braga, representando a 55ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Suzano.