O prédio II da Prefeitura de Mogi das Cruzes, o Pipa Hub, no Centro, será palco da Virada Autística, evento organizado pelo Instituto Resiliência Azul, voltado à conscientização e ao protagonismo de pessoas autistas e famílias atípicas. A terceira edição será realizada neste domingo (26), das 10 às 17 horas, com atividades para todas as idades. A expectativa é receber cerca de 500 pessoas ao longo do dia.

O evento é aberto ao público e tem entrada gratuita, mas é recomendada a doação de 1 kg de alimento não perecível. Toda a arrecadação será destinada ao projeto ResSurgiR, que presta apoio a mulheres e famílias atípicas em situação de vulnerabilidade social.

Com o tema “Apesar do horror, ainda existe amor — com Reciprocidade e Resiliência Azul”, segundo a presidente do instituto, Diiva Batista, neste ano o evento faz referência aos chamados “circos dos horrores”, populares entre os séculos XIX e XX, em que pessoas com deficiência eram expostas como forma de entretenimento. 

A ideia da temática, segundo a organização, é ressignificar esse contexto, transformando-o em um palco de consciência e empatia. "A gente vai ter uma imersão histórica, com uma linha do tempo que vai desde o circo dos horrores e as internações manicomiais até a revolução de Nise da Silveira (médica e psiquiatra), que trouxe a arteterapia como método ao invés de eletrochoque", afirma a ativista.

Diiva destaca ainda que o objetivo do evento é dar voz a pessoas que por muito tempo foram silenciadas e excluídas da sociedade, além de promover a inclusão na prática. “Hoje, a gente quer que eles ocupem esse palco, esse protagonismo, mostrando o que eles fazem de melhor”, explica a ativista. Para ela, a Virada Autística se diferencia por ser construída por e para pessoas autistas, destacando a importância de incluir elementos que façam parte da realidade e do cotidiano desse público.

Programação 

A programação da Virada é dividida em quatro pilares principais: acessibilidade, educação, cultura e direitos. As atividades incluem espaços sensoriais acessíveis, experiências imersivas, rodas de conversa, palestras, atividades culturais inclusivas, incentivo ao empreendedorismo atípico, orientação jurídica e social sobre direitos da pessoa autista, além de informações sobre o tratamento medicinal com cannabis.

A neuropsicopedagoga Adriana Magalhães, voluntária do instituto, é uma das especialistas confirmadas na programação e estará no espaço sensorial, onde apresentará o trabalho que desenvolve. Outro destaque é o escritor e palestrante Caio Manço, que é autista, e deve falar sobre suas obras.

Apesar do nome, a Virada Autística, segundo Diiva, é um evento voltado a toda a comunidade, com a proposta de aproximar a população e o poder público da realidade de pessoas autistas e de famílias atípicas, incentivando a convivência e a quebra de preconceitos. “Quero deixar uma mensagem para que as pessoas venham conhecer de perto e entendam melhor o mundo dessas famílias atípicas", convidou a presidente. 

O prédio II da Prefeitura fica na rua Francisco Franco, 133, no Centro de Mogi. Mais informações pelo perfil no instagram @virada.autistica.mogidascruzes

Lei

A Virada Autística passou a integrar o calendário oficial de Mogi das Cruzes em janeiro de 2025, por meio da Lei Nº 8.177. A legislação estabelece que o evento deve ser realizado no último final de semana de abril, em alusão ao Dia Internacional da Conscientização do Autismo, celebrado no dia 2 deste mês. O texto também prevê a promoção, em condições de igualdade, dos direitos fundamentais da pessoa autista, além de ações de conscientização e de combate ao capacitismo.