No Alto Tietê, o Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), ocorre em meio a um cenário de recuperação, com o Sistema Produtor Alto Tietê (SPAT) operando 52,8% da capacidade, segundo dados da Sabesp da última sexta-feira (20). O índice é 14,3 pontos percentuais acima de fevereiro deste ano e 6,8 pontos superior a março de 2025. Mesmo com a melhora recente nos níveis, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por meio da SP Águas, agência reguladora de águas do Estado de SP, alerta que o cenário ainda exige atenção.
Segundo a pasta, o sistema da região ainda reflete os efeitos acumulados de seis anos seguidos com chuvas abaixo da média histórica, além da diminuição das vazões naturais dos rios. Com isso, a disponibilidade hídrica é vulnerável a períodos prolongados de estiagem, e a irregularidade na transição entre períodos pode comprometer a recomposição dos níveis das represas.
A melhora provocada pelas chuvas recentes, de acordo com a Semil, não garante estabilidade no abastecimento. Isso porque a recuperação dos reservatórios está ligada não apenas ao volume de chuva, mas à frequência e à forma como ela se distribui nas bacias que alimentam o sistema. Além disso, mesmo durante o verão, período tradicionalmente mais chuvoso que terminou na sexta-feira, a pasta informa que fatores como o aumento do consumo de água e a ocorrência de pancadas intensas e concentradas em alguma região dificultam um ganho consistente nos reservatórios.
Medidas para enfrentar a estiagem
Para tentar lidar com a instabilidade no sistema hídrico, o governo de São Paulo informou que vem ajustando as ações conforme o comportamento do sistema. Na prática, isso inclui desde mudanças operacionais na captação de água até medidas voltadas à redução de perdas na rede de distribuição. Entre elas, está a diminuição da pressão em determinados horários, principalmente no período noturno, como forma de preservar o volume disponível, conforme as diretrizes da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).
De acordo com dados do governo estadual, essa estratégia já resultou em uma economia expressiva de água na Região Metropolitana de São Paulo. A medida, segundo divulgado, contribui para reforçar o abastecimento em momentos de maior demanda. Os dados apontam que, no total, foram economizados 105 bilhões de litros de água desde 27 de agosto de 2025, quando a medida foi adotada.
Paralelamente, por meio da Subsecretaria de Recursos Hídricos e Saneamento Básico, a Semil divulgou que foram aprovados R$ 75 milhões em recursos para 15 projetos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), ferramenta de apoio aos municípios paulistas na administração e recuperação dos recursos hídricos. Mogi das Cruzes, Suzano, Salesópolis e Itaquaquecetuba estão entre os municípios beneficiados pelo investimento. O projeto inclui projetos voltados para a conservação dos recursos hídricos, obras de drenagem de águas pluviais e implantação de rede de esgotamento sanitário.
Outro investimento na área é a Interligação Billings–Alto Tietê, estimada em R$ 1,4 bilhão. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) iniciou as obras em janeiro deste ano. Segundo divulgado, o projeto permitirá captar até 4 mil litros de água bruta por segundo no braço Rio Pequeno da represa Billings, em São Bernardo do Campo, com bombeamento para a represa Taiaçupeba, em Suzano. O intuito é fortalecer o abastecimento em toda a Grande São Paulo, ampliando a oferta de água para o Sistema Integrado Metropolitano, do qual faz parte o SPAT.