Na manhã desta quinta-feira (26), a Câmara Municipal de Mogi das Cruzes sediou uma audiência pública para a prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde, referente ao terceiro quadrimestre de 2025. No que diz respeito à produção de serviços na Rede Básica, foram agendadas 174.820 consultas, e os atendimentos de urgência e emergência somaram 247.742. Os dados foram apresentados pela secretária municipal de Saúde, Rebeca Barufi, que detalhou a situação da saúde no município, abordando ações e investimentos realizados no setor ao longo do período. A audiência foi conduzida pelo membro da Comissão Permanente de Saúde da Casa, o vereador Rodrigo Romão (PCdoB).
De acordo com as informações financeiras de 2025, informadas na prestação de contas, a Prefeitura destinou 23,14% da receita própria proveniente de impostos para a saúde apenas no terceiro quadrimestre, mantendo uma média anual de 22,46%. Esse investimento resultou em um total de R$ 354.681.582,13 em recursos do Tesouro Municipal aplicados ao longo do ano, enquanto a despesa total liquidada pela pasta no exercício atingiu o montante de R$ 509.072.100,58.
A distribuição desses recursos por subfunção demonstrou um investimento expressivo de R$ 189.312.753,52 na Atenção Primária e de R$ 301.785.936,35 na Assistência Hospitalar e Ambulatorial. Outros valores foram aplicados em Suporte Profilático e Terapêutico, totalizando R$ 14.876.887,86; na Vigilância Sanitária, com R$ 352.104,23; e na Vigilância Epidemiológica, com R$ 2.620.531,63. Os repasses para Organizações Sociais (OSs) também foram detalhados no relatório, destacando-se o contrato com o CEJAM, que recebeu R$ 11.757.855,85 para a gestão de unidades de saúde e laboratórios, e a entidade ALPHA, com repasses de R$ 5.130.897,67 para o Pró-Criança.
No que diz respeito à produção de serviços na Rede Básica, foram agendadas 174.820 consultas, sendo 66.763 com médicos clínicos, 30.501 com ginecologistas e obstetras, 25.946 com pediatras, 26.143 de enfermagem, 7.237 em psicologia e 18.230 consultas odontológicas. Na rede de Atenção Especializada Municipal, foram contabilizadas 50.264 consultas e 52.779 exames, registrando uma taxa de absenteísmo de 15%. A Santa Casa de Misericórdia também contribuiu com a rede hospitalar, realizando 3.855 internações no quadrimestre, sendo a maior parte nas clínicas cirúrgica (2.068) e obstétrica (1.107).
A estrutura de saúde de Mogi é composta atualmente por um Hospital Municipal, sete Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), seis Unidades de Saúde Mental, 19 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), 17 Unidades de Saúde da Família (USFs) e 13 Unidades Especiais.
Os dados de urgência e emergência revelaram que o sistema realizou 247.742 atendimentos totais em unidades como as UPAs e o Hospital Municipal. Na classificação de risco, 81,5% dos pacientes foram enquadrados nas categorias verde e azul (baixa complexidade), enquanto os atendimentos de emergência (vermelho) somaram 2.195 casos, representando 0,87% do total. O SAMU, componente móvel da rede, atua de forma regionalizada, atendendo Mogi e cidades vizinhas.
No campo da Vigilância em Saúde, foram realizadas 309 inspeções sanitárias e atendidas 109 denúncias. As campanhas de vacinação foram outro destaque, com a aplicação de 11.776 doses contra a gripe, 6.506 contra a Covid-19 e 5.927 contra a dengue. Além disso, o controle de arboviroses realizou 3.601 visitas a imóveis e 5.550 avaliações de densidade larvária para combater o mosquito transmissor.
Vereadores
O vereador Mauro Araújo (MDB) elogiou a administração municipal, afirmando que os investimentos em saúde estão sendo satisfatórios. "A gente não conhece nenhuma cidade do Alto Tietê que invista quase 25% de seu orçamento em saúde. Temos visto que existe uma prioridade com a saúde em nosso município, em um investimento que tem mostrado bons resultados", pontuou.
Em seguida, o vereador observou que existe um número elevado de absenteísmo (faltas) em consultas médicas. "O absenteísmo continua muito alto e sabemos que isso é um grande desperdício de dinheiro. O que está sendo feito, onde podemos melhorar e quais ações estamos praticando?", questionou.
"Na prestação do trimestre passado, a gente levantou essa questão e a secretária disse que o 'SIS na Palma da Mão' seria uma solução para isso. Gostaria de saber se isso foi implementado", complementou Inês Paz (PSOL).
Em resposta, a secretária de Saúde afirmou que a pasta está trabalhando internamente para diminuir as faltas. "O SIS na Palma da Mão é uma de nossas grandes implementações, que vai facilitar o acesso e garantir maior agilidade e informação para o paciente, mas é um processo. Estamos implementando isso internamente e já iniciamos outras ações para combater o absenteísmo. Estamos implementando a informação via WhatsApp. Demos início a isso há um mês e estamos monitorando se o absenteísmo vai melhorar por conta dessa ação", explicou.
Também estiveram presentes na audiência o vereador Edson Santos (MDB) e o secretário adjunto de Saúde, Luiz Bot.