Arujá - Um estudante, de 16 anos, alegou ter sofrido homofobia e violência física na saída da Escola Estadual Ana Maria de Carvalho Pereira, no bairro Jardim Emília. O caso ocorreu dia 8, mas o assunto apenas veio a público ontem. Esse é o segundo caso de homofobia na região apenas neste mês, já que uma adolescente negra e transexual também sofreu agressões físicas e verbais, no dia 10, em uma escola em Mogi das Cruzes.

Segundo apurações feitas pela reportagem, as provocações e assédios começaram há mais de um ano. Estudante do período noturno, ele era ofendido pelos colegas com apelidos depreciativos de cunho homofóbico.

O jovem explicou que procurou o Conselho Tutelar e a direção da escola para pedir proteção e apoio, porém admite que nunca denunciou o nome dos responsáveis por medo de retaliação. No dia 8, o jovem foi abordado por colegas que questionaram sua sexualidade. Os episódios de bullying também aumentaram, incluindo ataques com bolinhas de papel, borracha, canetas e até uma ameaça por carta.

Assim que os portões da escola se fecharam, ele foi atacado com chutes. O adolescente chegou a desmaiar, apenas recobrando a consciência na presença dos pais.

Em conversa com Maetá Soares, do Conselho Tutelar, ela informou que o jovem era atendido por outras demandas, não tendo relatados casos de bullying. A reportagem tentou contato com o jovem, mas ele não retornou as ligações

Gustavo Don, ativista pelos Direitos Humanos, aconselha que jovens e famílias procurarem por ajuda em todos os locais, "Sempre procurem um adulto, peçam ajuda para a direção da escola, para o conselheiro tutelar, os movimentos sociais, porque essa discriminação é um crime e não podemos aceitar", defendeu.

Segundo ele, existem ferramentas e grupos dedicados para defesa dos direitos assegurados pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), "O Fórum Mogiano LGBT, além de atuar em Mogi das Cruzes, também pode auxiliar em casos na região do Alto Tietê". Ele também cita a importância de duas ferramentas para denúncia de casos de preconceito ou homofobia, o Disque 100 e a Delegacia da Diversidade Online (DDD Online).

Questionada sobre o assunto, a Prefeitura informou que, "se solidariza com a vítima da agressão citada, além de repudiar e lamentar qualquer tipo de violência ocorrida. A administração municipal também coloca à disposição do estudante, a Secretaria Municipal".