O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) indicou recentemente o desembargador Kassio Nunes Marques, de 48 anos, como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Para assumir a vaga, Kassio Marques ainda será sabatinado pelo Senado. Durante live semanal realizada nas redes sociais, o presidente afirmou: "E a segunda vaga será para um evangélico, tá certo?".
Bolsonaro indicou o desembargador do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) Kassio Marques na vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Celso de Mello em 13 de outubro. Segundo a blogueira do UOL Thaís Oyama, o presidente conheceu o desembargador há dois meses apenas. Ele foi apresentado pelo deputado Hélio Lopes (PSL), conhecido como Hélio Negão, que é amigo do ex-capitão há mais de trinta anos.
A escolha surpreende por não ser um dos nomes que estavam na chamada lista de apostas para uma cadeira no STF. "Vamos supor que estive escolhido o André [Mendonça, ministro da Justiça e Segurança Pública]. Não está descartado. André está na fita, Jorge [Oliveira, ministro da Secretária-geral da Presidência] está na fita. Vou falar os dois nomes porque estão ligados a mim. Tem mais gente na fita? Tem", pontuou Bolsonaro.
Bolsonaro também falou sobre a pressão que sofreu de apoiadores no ano passado para a indicação de Sergio Moro. "O ano passado todo, até mais ou menos abril desse ano, vocês queriam quem para o Supremo? Me acusavam! O Sergio Moro. Me ameaçavam no Facebook o tempo inteiro. 'Se não for o Sergio Moro para o Supremo, acabou! Acabou, acabou!' Agora você quer que eu troque o Kassio pelo Sergio Moro? E daí? Quer que eu faço o quê? O famoso 'e daí?' Querem o Moro para o Supremo, vai ser leal a nossas causas? Vai ser aprovado no Senado Federal?", ressaltou.
Enquanto acontecia a live, apoiadores do presidente publicavam no chat mensagens como "Kassio Nunes Não". Bolsonaro defendeu o desembargador e disse considerá-lo uma pessoa de "família". "Falam que ele é desarmamentista, tem nada a ver. Ele é católico, é família e tenho certeza que vão gostar do trabalho dele no STF. Quem indica para o Supremo não sou eu, é o Senado Federal. Eu pego por exemplo aqui nosso ministro Tarciso para o Supremo. Chega no Senado, o nome dele é rejeitado."
Bolsonaro justificou o desejo de indicar um evangélico para o STF. Segundo ele, a pessoa indicada terá que votar de acordo com as suas convicções e interesses de conservadores. "Por que evangélico? Porque tenho um tremendo respeito por mais de 30% de evangélicos no Brasil, acho que tem que ter uma pessoa lá dentro", disse.
"Não é porque é evangélico apenas, tem que ter conhecimento de causa, tem que transitar em Brasília, conhecer gente no Supremo, no Parlamento. Quero que essa pessoa vote de acordo com suas convicções, interesses dos conservadores, mas que busque maneiras de ganhar alguma coisa lá também", completou.