Após dois anos sem a realização do Carnaval, as escolas de samba de Mogi das Cruzes já começam a se preparar para a volta do evento, previsto para março do ano que vem. A festa de rua esteve fora da agenda da prefeitura em 2016 e 2017 devido ao plano de contenção de gastos do prefeito Marcus Melo (PSDB).
"Sempre deixamos claro que a suspensão do Carnaval foi uma questão exclusivamente financeira. Passamos por uma crise muito grande e precisamos deixar de fazer a festa para manter outros serviços essenciais em funcionamento. Mas aos poucos fomos ajustando as contas e agora temos condições de retomar a festa, ainda que de forma reduzida", afirmou o prefeito, em reunião com as agremiações, realizada no começo de julho.
De acordo com o secretário municipal da Cultura, Mateus Sartori, o objetivo da prefeitura para os próximos anos é dar mais autonomia às escolas. Para isso, as agremiações deverão realizar, no mínimo, quatro eventos que garantirão a captação de recursos. "Queremos que as agremiações consigam fortalecer seu lado empreendedor para que possam depender menos da prefeitura", explicou.
No total serão R$ 244 mil de verba repassada para as agremiações, sendo R$ 200 mil para o Grupo Especial, composto por quatro escolas, e R$ 44 mil para o Grupo de Acesso, com duas escolas. Na edição de 2016, o valor repassado foi três vezes maior.
Além disso, o secretário afirmou que não haverá mais matinês infantis no Centro de Cidadania e Arte (Ciarte). Contudo, outras atividades voltadas às crianças serão definidas até janeiro. Outra questão a ser discutida e determinada pela prefeitura diz respeito aos blocos de carnaval. "Iremos conversar com as comunidades e entrar em um consenso sobre o carnaval de rua. Acredito que os blocos permanecerão, mas com uma infraestrutura menor, já que muitas pessoas se incomodam com o barulho", completou Sartori.
Escolas
"Cada agremiação tem um calendário próprio para atender as demandas da prefeitura. A partir deste mês começaremos, de fato, a organizar as ações que serão realizadas", disse José Luiz da Silva, o Rabicho, presidente da Águia de Prata, uma das agremiações que farão parte do Carnaval.
O presidente da escola de samba Unidos da Vila Industrial, Emerson Rodrigues da Silva, o Lezinho, afirma que as expectativas para a próxima edição do Carnaval são ótimas. "Durante esses dois anos sem o evento, tivemos muito trabalho para manter a estrutura da escola. Fizemos várias ações para cumprir as despesas mensais. Agora, estamos prontos para defender o título com unhas e dentes. Nos dedicando para satisfazer todas as exigências da prefeitura".
*Texto supervisionado pelo editor.