O incêndio que consumiu o Museu Nacional na noite de domingo, no Rio de Janeiro, chamou a atenção para a falta de manutenção e preservação do patrimônio histórico. Para a arquiteta e engenheira ambiental, Ana Sandim, um dos caminhos para conservar os espaços são as parcerias firmadas com a iniciativa privada.
Ana avaliou que os prédios que abrigam os museus, que na maioria das vezes são centenários, precisam ser equipados com itens de segurança, que evitem tragédias como a registrada no domingo. "Estes prédios precisam de adequações conforme sua época. No caso do Museu Nacional, a lei que fala sobre patrimônio e proteção, o Escudo Azul, foi colocada na legislação em 2011, há 7 anos, mas no prédio não tinha detector de fumaça, que no shopping você acha. O problema é quando um edifício de quase 200 anos passa por uma série de transformações, há a necessidade de grande investimento público", explicou.
Para a arquiteta, uma das saídas é buscar parcerias com a iniciativa privada e estabelecer um planejamento para conservar o patrimônio. "Isso deve ser feito já que o governo não alcança, como foi feito com o Museu da Língua Portuguesa. Tem que ser criada uma programação, por exemplo, a Igreja do Carmo vai arrumar a parte elétrica, depois, quando vier outro recurso, vai para o altar", sugeriu.
A arquiteta fez um alerta sobre as prioridades do governo em relação ao dinheiro investido na reforma do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, em detrimento ao valor destinado à conservação do Museu Nacional que, segunda ela, foi infinitamente menor. "No incêndio no Museu da Língua Portuguesa a causa foi um problema na energia elétrica e, agora, vão apurar o que ocorreu no Museu Nacional. Quase certeza que não foi um incêndio criminoso. Foi um caso de falta de manutenção", ressaltou.
A especialista integra o programa Pró-Memória, que entre uma das funções tem o objetivo de tombar o patrimônio de maneira ex-officio, ou seja, pelo município. Ela informou que a medida possibilita que o espaço possa receber recursos dos cofres municipais, além dos que vêm do governo federal no caso dos prédios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat), do governo estadual.
De acordo com a arquiteta, que já presidiu o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap), a entidade propõe as ações de conservação, mas cabe ao poder público fazer os investimentos. Ela citou o exemplo da instalação de um hidrante em frente à Igreja do Carmo, para segurança em caso de incêndio.
No dia 24 de setembro, como parte da comemoração do aniversário de Mogi, a prefeitura inaugura o novo Arquivo Histórico da Cidade.
Conservação
Por meio de nota, o secretário de Cultura, Mateus Sartori, informou que todos os museus sob a gestão da prefeitura recebem trabalhos de manutenção periódica e possuem suas brigadas de incêndio. "Nossos prédios recebem manutenção, estão em ordem, são adequados, possuem equipamentos necessários e ainda contam com suas brigadas de incêndio, para o caso de qualquer eventual ocorrência", diz o documento.