Compartilhe
A estudante Lara Ramos Souza, de 7 anos, não desgrudava do pai, Francisco Souza Jesus, 40, enquanto ele contava como é a rotina de cuidar dos sete filhos sozinho. A família mora em uma casa no distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, e vive apenas com o sustento do homem da casa, que trabalha como pedreiro. Lara e Francisco Jesus ainda contam com as companhias de Giovana Ramos Souza, 12; Maria Claudia Ramos Souza, 8; Julia Pietra Ramos Souza, 9 anos; Pedro Felipe Ramos Souza, 15 e Kauan Ramos Souza, 13. Ainda há a caçula, de dois anos, que não participou da entrevista porque estava na creche. Ele também tem outra filha, de quatro anos, que mora com os avós.
Desde o momento em que se viu sozinho com os filhos, Francisco Jesus não deixou faltar nada a eles. Pela manhã, os leva para a escola e só depois sai para o trabalho. "A gente procura fazer o máximo possível. É aquela coisa: é difícil, mas, na minha situação, fui obrigado a pegar o ritmo, a entendê-los melhor. Hoje, a maioria deles já sabe se virar sozinho. É assim, vamos tocando a vida. Procuro fazer o melhor. Não vou abandoná-los, como fez a mãe deles. Procuro dar carinho e educação", garantiu o papai.
Há 24 anos em São Paulo, o pedreiro veio da região Norte do país. Depois que começou a trabalhar, conheceu a mãe das crianças, com quem ficou junto por 12 anos. Eles se separaram, mas os filhos sempre o visitava aos finais de semana, até que, ela foi embora de casa, sem os filhos. "Amo meu pai. Ele é o meu rei", afirmou Pedro Souza. "Ele é o maior pai do mundo, não deixa faltar nada dentro de casa. Ele fala o que é certo, o que é errado, o que pode e o que não pode", contou a irmã, a pequena Julia.
O pedreiro trabalha perto da casa da família para estar sempre presente no dia a dia dos filhos. Um dos pontos mais importantes para ele é que não faltem na escola e na Fraternidade Santo Agostinho, uma entidade também situada em Jundiapeba. "Os maiores vão cuidando dos menores. Todos vão para a escola e creche de van. Não tive essa oportunidade de estudo. Me alegra saber que meus filhos estão tomando um caminho melhor", disse o pai.
Para Francisco Jesus, o maior desafio é "tocar o barco para frente", como ele mesmo disse. Quando começou a cuidar das crianças sozinho, procurou escola, creche e colocou em ordem as carteiras de vacinação. "É um desafio, mas é bom. Eu quero que eles cresçam frequentando a igreja. Não são crianças rebeldes. Quero que sigam a profissão que desejarem e vou estar sempre os apoiando", concluiu.
Cinco dos sete filhos de Francisco frequentam a Fraternidade Santo Agostinho. Para a associação, o pai é um exemplo. "Recebemos uma solicitação para incluir os cinco filhos do Francisco através do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Jundiapeba I, então tínhamos as vagas e, diante da situação, incluímos as crianças. Não faz nem um ano que estão aqui, mas são super assíduos e comprometidos. Francisco (Jesus) participa das reuniões, e isso chama a atenção porque são pouquíssimos os responsáveis que vêm. Ele sempre conta sobre os anseios e dificuldades que enfrenta no dia a dia. É um exemplo de pai", contou a assistente social da entidade, Raquel Vale Palmeira, 38.