Os funcionários do setor de montagem da empresa Valtra, indústria que produz tratores agrícolas em Mogi das Cruzes, entram no terceiro dia de greve hoje. Eles reivindicam o cumprimento do acordo feito com a companhia sobre o benefício da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A empresa pagou apenas 31% do valor total (R$ 1.732,50) e não 50% (R$ 2.750) como prevê o acordo, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos.
Conforme o sindicato, o pagamento da primeira parcela do benefício foi feita no dia 30 de julho e está 19% abaixo do valor acordado. O valor total previsto para os funcionários receberem até o fim do ano é de R$ 5,5 mil.
O sindicato informou para a reportagem que, antes de iniciar a greve, houve tentativa de diálogo com a diretoria na quarta-feira passada, em uma reunião de três horas. O sindicato deu o prazo de uma semana para a Valtra cumprir o acordo da PLR, ou seja, até a última terça-feira. De acordo com o secretário geral do sindicato, José Carlos de Morais, a indústria se pronunciou afirmando que não irá rever o valor, pois calculou o percentual correto.
Segundo Morais, ocorreram diversas reuniões com a empresa na tentativa de fechar o acordo, que consiste em atingir 100% da produtividade e qualidade dos funcionários, além do resultado operacional que é calculado no fim do ano. Em abril, os funcionários atingiram 37%, em maio 54% e, em junho, ultrapassaram a meta e alcançaram 63%.
O secretário geral do sindicato contou que os funcionários que desejam trabalhar não estão sendo impedidos. Ele ainda disse que a greve está sendo feita de forma pacífica e ordenada. "Fizemos uma passeata durante o segundo dia da greve para chamar a atenção da população para o descumprimento da empresa com o acordo", contou. A passeata percorreu ruas do distrito de Braz Cubas, seguindo pela rua Guttermann, Doutor Deodato Wertheimer, avenida Francisco Ferreira lopes e, em seguida, retornou para a porta da empresa.
O secretário declarou que não há previsão de retorno às atividades e que a normalização dos serviços depende apenas da empresa. Ainda segundo a categoria, a Valtra informou, durante a reunião da quarta-feira passada, que poderá entrar com pedido de audiência no Tribunal do Trabalho. "A empresa deveria reconhecer nosso direito de greve. Não destruímos nada e não impedimos aqueles que querem trabalhar", expôs Morais.
Foram realizadas até ontem duas assembleias para discutir o descumprimento do acordo e a definição da paralisação. Hoje, o sindicato fará outro encontro, às 9h30, em frente à empresa, para informar os funcionários se houve algum pronunciamento da empresa.
Até o fechamento desta edição, a empresa Valtra não respondeu à reportagem sobre o assunto.
*Texto supervisionado pelo editor.