Em apenas cinco anos, 264 mulheres foram assassinadas no Alto Tietê, segundo o Mapa da Violência de 2015. Para debater o assunto, a Câmara Técnica de Políticas Públicas para Mulheres do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) realizou ontem, no Cemforpe, em Mogi das Cruzes, um seminário. Além dos números referentes ao período de 2009 a 2013, o presidente do Condemat e prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR), chamou atenção para os cinco casos de feminicídios registrados apenas no primeiro semestre na região.
Ashiuchi ressaltou que o consórcio está atuando para conseguir criar abrigos regionais para as mulheres vítimas de violência doméstica. "Precisamos realizar ações integradas. Tem cidades que não tem condições de implantar casas abrigos", destacou.
Para a médica e coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres do Estado de São Paulo, Albertina Duarte Takiuti, o antigo ditado que "em briga de marido e mulher, não se mete a colher", é equivocado. "Nós colocamos a mão, o pé e o abraço". Ela defendeu ainda, o papel das Patrulhas Maria da Penha e o acolhimento das vítimas sejam em qualquer delegacia.
A especialista defendeu que o poder público crie mecanismos para apoiar essa mulher e os filhos, já que o reflexo da violência é sentido por todos. "Temos que entender que já temos caminhos e eles só poderão ser conseguidos se empoderarmos as mulheres no sentido de romper o silêncio, de fazer as denúncias. O Estado e o Brasil precisam de situações intersetoriais de apoio. A mulher não denuncia muitas vezes por não ter condições econômicas, é preciso fazer trabalhos de capacitação", ressaltou.
A presidente da Comissão da Mulher Advogada na Ordem dos Advogados (OAB) de Suzano, a advogada Maria Margarida Mesquita, criou uma cartilha para orientar as mulheres sobre seus direitos. "O desafio é que parte das vítimas depende financeiramente do marido. Tiramos o marido de casa, mas ele volta. Temos casas de acolhida em Mogi das Cruzes e Suzano, mas precisamos de um abrigo regional que seria o ideal para acolher essas mulheres", finalizou a defensora.