A unidade da Organização Não Governamental (ONG) Cabelegria, localizada no Pró-Mulher, no bairro Mogilar, registrou ontem o total de 600 doações de mechas de cabelo desde a sua inauguração, no dia 16 de maio. De acordo com a responsável pelo estabelecimento, a voluntária do Fundo Social de Solidariedade, Mirian Passos, um dos fatores que ajudaram no maior número de doações foi a ampliação do atendimento. Antes, a unidade apenas atendia de segunda e quinta-feira, devido à falta de voluntariados. Agora, com 12 colaboradores, ela funciona todos os dias, das 13 às 17 horas.
Os coordenadores do projeto ainda estudam realizar atendimento na parte da manhã. "Se, futuramente, a ONG receber mais voluntários, poderemos ampliar ainda mais o horário de funcionamento. Há muitas pessoas que só podem comparecer no período matutino, até porque, muitas vezes as sessões de quimioterapia são feitas à tarde", disse Mirian. Além disso, a responsável diz que a unidade, até agora, doou somente 28 perucas. "Recebemos uma oferta maior de pessoas com interesse em doar mechas do que em adquirir as perucas".
Durante a apuração da equipe de reportagem no local, a Cabelegria conseguiu atingir o número redondo de 600 doações, graças a estudante Paula Vieira e a guia de turismo Eufrásia Bortoletto. "Eu sempre quis doar, tanto que deixei meu cabelo crescer especificamente para este propósito. A minha mãe e minha avó faleceram devido ao câncer, então eu sei o quão difícil é a situação das pessoas que estão sofrendo por conta da doença. Acredito que com a doação estarei ajudando quem precisa", disse Paula, que conheceu a ONG por meio de uma divulgação no jornal.
O caso de Eufrásia é parecido. "Além de sempre me interessar por causas deste gênero, eu tive um membro da família que perdeu a luta contra o câncer. Logo, isso me motivou a deixar meu cabelo crescer para poder doar. É a primeira vez que estou colaborando e pretendo continuar". A guia de turismo também conta que a ampliação do atendimento favoreceu a doação. "Estou para doar o cabelo há um tempo, mas, como eu não tenho disponibilidade nem segunda nem quinta-feira, não tinha conseguido vir até a unidade. Estou feliz em finalmente poder ajudar".
Uma das voluntárias da unidade, que trabalha no local há três semanas, a estudante Letícia Marina dos Silva, acredita que o número de doações irá aumentar após o período mais frio do ano. "Acredito que, além do projeto estar em funcionamento há pouco tempo, muitas pessoas ainda não conhecem o serviço. Temos a expectativa de que nesse segundo semestre a procura seja maior".
Família Solidária
A Cabelegria foi trazida a Mogi das Cruzes por meio do programa Família Solidária, criado pelo Fundo Social com o intuito de reunir voluntários para ajudar em projetos e eventos de caridade, segundo informou o coordenador do programa, Ralf Naure. "O Cabelegria é uma ação fantástica, pois permite que a pessoa que sofre de doenças como câncer e alopecia resgate a autoestima, sem precisar gastar dinheiro", declarou Naure.
*Texto sob a supervisão do editor.