O Brejinho, Área de Preservação Ambiental (APA), localizado nas margens do rio Tietê, em Cezar de Souza, recebe todo ano espécies migratórias de todo o país e também do exterior. Na última quarta-feira, parte do terreno sofreu mais uma queimada característica desta época. De acordo com o médico veterinário Jefferson Leite, todo ano, a partir de setembro, os pássaros das espécies caboclinhos-de-chapéu-cinzento, barriga-preta e barriga-vermelha costumam migrar do centro-oeste brasileiro, param na região por cerca de um mês e depois seguem para o sul do país. "Eles não vão encontrar o local para descansar este ano", lamentou Leite.
Além do caboclinho, a área costuma abrigar uma espécie regional, o bicudinho do brejo paulista, redescoberta em 2005 e que já está ameaçada de extinção. Especialista no assunto, o veterinário estima que existam apenas 400 exemplares no mundo, e que todos estão concentrados em Mogi, Guararema, Biritiba Mirim, Salesópolis e em uma área de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
Leite contou que essas espécies de pássaros costumam viver em brejos bem preservados. "Depois que o incêndio acabou, conseguimos identificar duas espécies regionais em uma área que não foi afetada pelo fogo", constatou. Preocupado com as condições da área, o médico veterinário criou uma página no Facebook para sensibilizar a população. Denominada Amigos do Brejinho, o espaço tem o objetivo de alertar a população sobre a importância da preservação e a problemática da área.
As ações de vandalismo no local têm colocado a qualidade ambiental em perigo e, de acordo com avaliação de Leite, a situação está piorando. "A intenção de criar a página é mostrar a beleza e os problemas da região e sensibilizar a população para que todos possam zelar e conservar o terreno", ressaltou. (N.F.)