A greve dos funcionários do setor de montagem da empresa Valtra, indústria que produz tratores agrícolas em Mogi das Cruzes, foi suspensa na tarde de ontem. A companhia recorreu à Justiça com pedido urgente de liminar alegando que a greve é abusiva e ilegal. Diante disso, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo reunirá os trabalhadores na segunda-feira em uma assembleia, na qual será discutida a proposta da empresa e se haverá continuidade da greve, que reivindica o reajuste da primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
A audiência de ontem contou com a diretoria da companhia, representantes do sindicato, departamento jurídico do sindicato, Comissão de Fábrica e mais 15 trabalhadores. Os argumentos feitos pelo advogado da empresa, Oswaldo Sant'anna, no processo judicial, apontam que a paralisação não atendeu ao requisito de notificação formal de 48 horas e violou o ato jurídico de realizar a greve fora da data base, esperada para 1º de novembro deste ano. Os requisitos exigidos estão previstos na Lei 7.783/89.
Por sua vez, o sindicato informou à reportagem que, antes de iniciar a greve, houve tentativa de diálogo com a diretoria na quarta-feira passada, em uma reunião de três horas. No documento, a empresa também alega que tentou conversar com o sindicato para suspender o movimento e não obteve sucesso. De acordo com o secretário geral do sindicato, José Carlos de Morais, a indústria se pronunciou afirmando que não irá rever o valor, pois calculou o percentual de forma correta.
A defesa ainda alegou que "os manifestantes se concentraram à frente do estabelecimento da Valtra, estacionando automóveis, caminhões e carros de sons impedindo o acesso à empresa, incitando um movimento abusivo e ilegal". Por outro lado, o secretário do sindicato declarou que as afirmações não são verdadeiras. "Durante os três dias de greve não impedimos a entrada dos trabalhadores, os portões da empresa se mantiveram abertos. Inclusive, no primeiro dia, a empresa liberou para os trabalhadores que aderiram à greve o uso do banheiro e para o sindicato liberaram o pátio da empresa para realizarmos a assembleia", rebateu.
A reivindicação da categoria é sobre o pagamento da primeira parcela do benefício, que, segundo o secretário do sindicato, está 19% abaixo do valor acordado. Morais ainda declarou que o setor atingiu 63% da meta estabelecida e que, por isso, deveriam receber o valor de R$ 2.750 (50% do total de R$ 5,5 mil) e não R$ 1.732,50, como ocorreu.
A Valtra informou à reportagem que "lamenta, mas respeita, a decisão e permanece disponível para esclarecimentos e pleno entendimento com os representantes de seus colaboradores" e que irá se empenhar em manter as atividades da unidade normalmente, "oferecendo a seus trabalhadores condições normais de acesso e segurança".
*Texto supervisionado do editor.