Depois de três dias de greve, os funcionários do setor de montagem da Valtra, indústria que produz tratores agrícolas em Mogi das Cruzes, voltaram a trabalhar na manhã de ontem após aceitarem o acordo feito pela empresa, que prevê o pagamento de R$ 509 até a próxima sexta-feira, garantia de estabilidade de 60 dias e o não desconto dos dias parados. A reivindicação da categoria estava sobre o valor da primeira parcela de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) que, segundo o sindicato, havia ficado abaixo do percentual acordado.
Os trabalhadores foram informados sobre as condições da proposta durante uma assembleia, liderada pelo secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Jorge Carlos de Morais, realizada ontem. Os termos foram firmados em audiência de conciliação realizada na última sexta-feira, com duração de uma hora e vinte minutos, a pedido da empresa.
Segundo o secretário geral da entidade, o setor atingiu 63% da meta estabelecida e que, por isso, deveria receber o valor de R$ 2.750 (50% do total do benefício, de R$ 5,5 mil) e não de R$ 1.732,50 como foi pago aos trabalhadores.
A defesa da indústria afirmou ao Tribunal que a parcela da PLR, paga no dia 31 de julho, estava dentro dos termos do Acordo Coletivo de 2018. A empresa ainda esclareceu que o cálculo do pagamento foi feito com os 50% sobre o percentual do total de indicadores atingido pela categoria, e não diretamente sobre o montante de R$ 5,5 mil.
A Justiça determinou que a empresa pague um acréscimo de R$ 509 aos funcionários até a  próxima sexta-feira. O valor corresponde à metade do que restava para se chegar ao reivindicado pelo sindicato. Caso a empresa descumpra a decisão determinada pela Justiça, ela deverá pagar 30% de multa sobre o valor.
Em outro ponto do acordo, ficou definido que os funcionários não terão o desconto equivalente a um dia e meio da paralisação em folha de pagamento. O restante dos dias (um dia e meio) irá para o Banco de Horas e será utilizado na medida em que a empresa necessitar. Também foi definido, a pedido do sindicato, a estabilidade de emprego de 60 dias, a partir da data da audiência, para os trabalhadores do setor. O secretário geral do sindicato explicou que, se houver retaliação, ou seja, caso funcionários sejam despedidos por razão da paralisação, a categoria deverá retomar a greve.
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