Quem não gostaria de ter a atenção e o carinho dos avós para o resto da vida? Mas, infelizmente, nem sempre isso é possível. Muitas vezes, quando os netos crescem, acabam indo morar longe para estudar ou trabalhar; se casam, têm filhos e, assim, a saudade dos avós só aumenta. Esse tipo de situação é comum, o que não significa que seja fácil de superar.
Essa é a realidade de Tania Mara Gato, de 54 anos, que tem uma netinha de 5, que mora em São Paulo, por conta do trabalho do filho e da nora. Tania já havia sido voluntária por três anos na Sociedade Cirinense, voltada para adultos e crianças soropositivas e, há um ano e meio, é voluntária no Hospital Municipal de Mogi das Cruzes (HMMC), onde participa do projeto "Oficina de Anjos" , que confecciona o material para entregar às crianças que têm alta no fim do ano, além de participar das visitas aos pacientes nos quartos.
Assim, Tania acaba passando mais tempo com as crianças do HMMC do que com a neta, que ela vê a cada 15 dias. "A minha neta mora longe e, a atenção que eu daria a ela, eu dou para as crianças do hospital. Não é uma substituição, mas sim, uma maneira de doar um pouco da atenção e carinho que eu daria a ela no dia a dia", contou.
Para ela, o voluntariado é uma troca de atenção, carinho e amor. Com os pacientes em um momento frágil, poder dar atenção ou até mesmo oferecer um sorriso, acaba sendo importante para eles. Como "avó coruja", ela fala um pouco sobre a neta e o amor envolvido nessa relação. "Ela é muito inteligente e adora ficar na minha casa, além de ser apaixonada pelo avô. Ela fala para o meu filho: "papai, eu gosto muito de você, mas eu gosto mais do meu avô" contou, entre risos.
'Avó e mãe'
Outro fato comum, principalmente em um momento quando a mulher está cada vez mais inserida no mercado de trabalho, é o apoio que as avós oferecem às filhas quando engravidam, principalmente logo após o parto, quando a recém-mamãe ainda está aprendendo a cuidar do bebê. Como também em situações em que as mães deixam os filhos com a avó quando precisam estudar, ou em qualquer outro momento de dificuldade. 
A reportagem conheceu a vovó Arlete da Costa Santana, de 62 anos, aposentada na área da saúde no HMMC, que estava acompanhando a filha e a netinha. A pequena estava internada com pneumonia, mas recebeu alta naquele dia.
Arlete revezou com a filha no hospital durante a internação da bebê, e disse que o apoio nessas horas é fundamental. Ela também conheceu o trabalho das voluntárias e viu a atenção dada aos pacientes. "Esse trabalho é maravilhoso, contribui para o conforto e emocional das crianças. Estou pensando até em ser voluntária também", contou. (V.M.)