Há 30 anos atuando como delegado de polícia em Poá e Mogi das Cruzes, Boanerges Braz de Mello, de 62 anos, assumiu no último sábado o cargo de delegado seccional, posto antes ocupado por Marcos Batalha, que foi nomeado delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Estado. A reportagem do Grupo Mogi News conversou na tarde de ontem com Mello, que já atuava na delegacia como assistente do delegado. Ele ressaltou os desafios e prioridades para a região, entre elas o combate ao tráfico de drogas no Alto Tietê. Isso porque, segundo o novo delegado seccional, esse tipo de crime leva a outros, como furto, roubo e homicídio. Ele frisou ainda que essas ações serão concentradas também em cidades menores, como Biritiba Mirim e Salesópolis, por exemplo, onde a venda de entorpecentes tem aumentando.
MN: Quais são as prioridades para o Alto Tietê?
Boanerges Braz de Mello: O tráfico de entorpecentes é sempre uma prioridade. Vamos fazer sempre repressão sobre o tráfico, porque sempre atrás vem o roubo, vem os furtos, os homicídios, além de degenerar nossa juventude. Nós temos hoje uma delegacia de entorpecentes forte, muitas prisões, muitas apreensões de drogas também, então vamos dar prosseguimento e prioridade nisso.
MN: Quais os principais desafios como delegado seccional?
Mello: Pretendemos baixar os níveis de roubos e furtos, de modo geral, roubo e furtos de veículo também, mas como fazer isso? Com um serviço mais preventivo, com aquelas rondas, com policiamento mais ostensivo, que já é feito pela Polícia Militar, mas vamos reforçar esses trabalhos. Vamos estar nos locais mais problemáticos, para que a gente consiga baixar essas estatísticas.
MN: O que esse novo cargo representa em sua carreira?
Mello: Na realidade é um motivo de muito orgulho, de honra, ter sido indicado pelo meu seccional, pelo meu chefe, para ocupar o cargo dele. Isso na carreira de um profissional é um peso muito grande. Fico muito honrado com esse convite e de estar aqui exercendo essa função muito importante.
MN: A atuação da Delegacia Seccional vai seguir da mesma forma ou terá algo específico?
Mello: Temos que dar prosseguimento naquilo que é bom. O Dr. Marcos conseguiu  implantar aqui um regime de trabalho magnífico, o resultado aflorou e pretendemos dar prosseguimento nisso. Podemos aperfeiçoar um ou dois pontos, mas a princípio vamos seguir o que ele nos deixou.
MN: De uma maneira geral, como enxerga a região como um todo em relação a segurança pública?
Mello: Aqui na região, principalmente Mogi das Cruzes, acho que ainda é uma cidade segura. O município mantém requintes de interior mesmo estando bem próximo da capital. Já nas proximidades de Ferraz e Itaquaquecetuba, ali os problemas são um pouco maiores, mais complicados, porque estamos fazendo divisa direto com a zona leste da capital, então necessita de uma atenção maior. A região tem uma característica especial, alguns municípios como Guararema, Salesópolis, Biritiba Mirim, são bem interioranos. Mogi ainda mantém essa característica, mas temos algumas áreas problemáticas em relação a geografia.
MN: Nessas cidades menores, para a Polícia Militar uma das preocupações são os roubos e furtos em caixas eletrônicos. Seria também para a Polícia Civil?
Mello: Tivemos alguns roubos a caixas eletrônicos, mas isso não é uma constante, temos que ficar alerta também porque o tráfico de entorpecentes está migrando inclusive para essas cidades pequenas. Não se pode abrir mão dessa vigilância, tem que agir com muito rigor para não tirar a tranquilidade desses municípios. Essas explosões de caixas tivemos em Salesópolis e em Guararema. São casos graves, mas mais pontuais. A atenção maior também é para o tráfico de entorpecentes.
MN: Em relação a quantidade de policiais civis hoje, é necessário ter um aumento do efetivo?
Mello: Realmente trabalhamos com uma defasagem grande de policiais. Eu posso até te afirmar que hoje temos menos policiais que há 15 anos e nesse período a população aumentou muito aqui nas cidades do Alto Tietê. Trabalhamos com essa deficiência, temos que se desdobrar para suprir essa falta de alguma forma. O governo do Estado tem feito algumas contratações, estamos com concurso para delegado, 250 vagas serão preenchidas, teremos também para investigador, escrivão e agentes, são centenas de novos cargos. Isso já vai dar uma respirada, mas ainda não é o ideal.