Moradores do Jardim Bandeiras, no distrito de Cezar de Souza, reclamam do abandono de um trecho da rua Castro Alves. A área é utilizada para descarte de entulho, lixo e até mesmo de animais mortos. O local, tomado pelo mato, atrai cobras, escorpiões e ratos. A falta de manutenção na área acarreta diversos problemas, como infestação de pernilongos, presença de dengue e acidentes nas vias.
A massoterapeuta Samira Ferrari Venâncio, 44, conta que desde quando ela mora no bairro, há 26 anos, a situação é a mesma. "No ano passado a prefeitura limpou a área, mas as pessoas voltaram a jogar lixo na via", conta Samira. Ela ainda acredita que a administração municipal deve escolher uma alternativa para solucionar o problema. "Ou a prefeitura isola a via e a transforma em área de proteção ambiental ou abre a rua para facilitar o acesso à outras regiões", propõe.
O problema se estende às áreas verdes da rua Júlio Ribeiro, paralela à rua Castro Alves, que também são utilizadas para descarte irregular, além da falta de manutenção do matagal. "Antes o ecossistema era equilibrado, hoje não mais. Temos infestação de pernilongos com a falta dos sapos, uma vez que a área é tomada por cobras", explica Samira.
A presença de animais peçonhentos já acarretou em um acidente com uma das moradoras, que foi picada por uma cobra no ponto de ônibus, na Júlio Ribeiro. Como se não bastasse, a rua Castro Alves ainda sofre com vazamento de esgoto, que escorre pela via formando poças d'água que favorece a criação de Aedes aegypti, agente transmissor da dengue.
O aposentado de 53 anos, Osmar de Oliveira, mora há 14 anos no distrito e conta que além da falta de fiscalização, o mato às margens da rua Castro Alves obstrui a visão dos motoristas, que podem vir a atropelar os pedestres que utilizam o meio fio da rua, pois falta calçada. "As pessoas andam na rua dividindo espaço com os carros; semana passada um cadeirante quase foi atropelado", conta o aposentado.
Uma das moradoras mais antigas do distrito, a aposentada Iolanda Pereira, 81, confirma que desde quando se mudou para o bairro a situação é mesma. Ela, que mora no Jardim Bandeiras há 35 anos, diz que os moradores chegam a fazer vaquinha para pagar um profissional para cortar o mato na área abandonada da Júlio Ribeiro, quando a prefeitura demora para fazer o serviço.
A Prefeitura de Mogi das Cruzes não foi encontrada pela reportagem por conta do feriado da padroeira Sant'ana, e deve se manifestar sobre o caso na segunda-feira.
Texto sob supervisão do editor*