Os comércios de Mogi das Cruzes, em sua grande maioria, estavam de portas fechadas na manhã de ontem durante a segunda partida do Brasil na Copa do Mundo da Rússia, contra a Costa Rica, e só abriram após o apito final do árbitro. Outras lojas começaram o expediente em horário normal, mas fecharam às 9 horas para que os funcionários pudessem assistir a partida.
Foi o que aconteceu no Supermercado Shibata, onde cerca de 300 funcionários pararam de trabalhar para acompanhar a seleção de Tite, Neymar e companhia. A animação era grande, e os colaboradores da empresa levaram adereços para torcer, como vuvuzelas, cornetas, bandeiras e camisas do Brasil.
O repositor Júlio Marques, de 20 anos, disse que a festa estava garantida por 90 minutos. "Vamos fazer uma bagunça bacana e torcer bastante pelo Brasil, pois o gerente liberou a euforia neste momento". A torcida estava contagiante, mesmo com os lances menos produtivos do Brasil nos primeiros 45 minutos de jogo.
Rodeados de pipoca e refrigerante, a nutricionista do Supermercado, há 22 anos, Helian Victal, de 62 anos, explicou que em todo jogo da seleção em Copas, os trabalhadores param para acompanhar. "Desde a Copa da França (1998) fechamos para que todos os funcionários possam participar da festa e torcer juntos".
Um primeiro tempo apático e com poucos lances que chamassem a atenção, Neymar, era o mais comentado quando pegava na bola. Mas quando caia no campo, as críticas logo surgiam entre os funcionários. Um dos que criticavam o ídolo brasileiro foi o repositor João Batista, 27, que acha que Cristiano Ronaldo muito melhor do que o atacante do PSG. "O Neymar já foi um ótimo jogador, mas hoje, ele é mais estrela do que jogador de futebol".
Já os pontos mais procurados para assistir aos jogos do Brasil na cidade, estavam em sua maioria, vazios, assim como as ruas. Porém, em Braz Cubas, a padaria Jolie, conhecida por sempre estar lotada em dia de jogos, estava tomada por torcedores. 
A apreensão foi grande até os acréscimos do segundo tempo, quando Phillipe Coutinho abriu o placar. A festa foi grande, e só aumentou quando, em seguida, Neymar marcou o segundo. 
O personal trainer Silas Luciano, 27, disse que acompanhar o jogo nessa padaria tem um ar especial. "Além de ser um lugar perto do meu trabalho, aqui é um ambiente bem familiar e assistir o jogo do Brasil tomando um café, faz toda diferença", disse.
Gerente da padaria, Eleni Mitiko, contou que a tradição de assistir aos jogos da Copa dura mais de 16 anos. "Ficamos abertos na hora do jogo porque todo mundo gosta de vir para assistir e comer alguma coisa. É um benefício para o comerciante e consumidor".
Agora o Brasil volta a campo na próxima quarta-feira no Estádio Spartak em Moscou, para jogar contra a Sérvia no último jogo do Grupo às 15 horas no horário de Brasília.
*Texto sob a supervisão do editor.