Um rio que nasce em meio à Mata Atlântica, localizado em Salesópolis, distante cerca de 96 quilômetros de São Paulo, tem muita história para contar. O Tietê, ou melhor, o "Caudal Volumoso", na língua tupi, é e foi um dos rios mais importantes para o Brasil. Em 2015, foi considerado morto na terceira cidade por onde passa: Mogi das Cruzes. A Fundação SOS Mata Atlântica, na ocasião, instalou uma placa no Conjunto Toyama, ao lado da rodovia Mogi-Salesópolis (SP-66). Atualmente, a morte do rio é considerada em Itaquaquecetuba.
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado ontem, é o momento ideal para discutir a poluição, um dos fatores para que o rio comece a perder o oxigênio, deixando-o sem vida, e assim, ocasionando sua morte. A bióloga da organização Bio-Bras, Nadja Soares, conta que uma das primeiras ações que a sociedade pode realizar para a preservação do rio é a economia de água, depois, evitar o descarte de lixo nas ruas e às margens dos rios. Por último, ficar atento ao descarte do óleo de cozinha.
Segundo a bióloga, "em termos de população, uma das primeiras coisas que podemos fazer é a economia de água, economizar a água tratada. Depois, evitar o descarte de lixo nas ruas e às margens de riachos, pois eles desaguam no Tietê. Outra questão é o descarte do óleo de cozinha nos ralos".
Outro ponto ressaltado por Nadja é a questão do poder público fazer corretamente o tratamento da água. "É importante que o poder público e os órgãos façam a gestão da água e o tratamento do esgoto. Isso foi estipulado como uma das metas para esse ano", esclareceu.
De 2015 para 2018, a mancha de poluição que estava no ponto considerado a morte do Tietê, em Mogi, diminuiu. Na época, o nível de oxigênio no local era zero. Nas análises dos anos de 2016 e 2017, foi revelado um retorno do oxigênio, mas, uma mancha em Itaquá, chamou a atenção. Por esse motivo, a cidade agora é local de morte do rio. "A medição de oxigênio nesses pontos do Tietê em épocas sazonais, em 2014 e 2015, não havia um mínimo de água que conseguisse diluir a poluição. Dependendo do ano, a diluição era maior, mas na verdade não significa a qualidade da água, mas sim mais água para diluir o esgoto", contou a bióloga.
Uma análise feita pela SOS Mata Atlântica em rios e córregos de Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos e Mogi nos primeiros meses deste ano, mostrou que a qualidade da água está entre boa e regular. Em Biritiba, por exemplo, a análise do mês de janeiro identificou que a qualidade do rio Tietê é considerada boa.
O Córrego Dias, em Ferraz, também foi analisado. De janeiro a abril, a qualidade da água do local foi considerada regular. Já em Mogi, foi a vez do Ribeirão Ipiranga. Em janeiro, março e abril, os níveis de qualidade estiveram entre regular e ruim.