O dia 15 de junho marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mogi das Cruzes tem 39.816 pessoas com idade acima de 60 anos. Os dados são referentes a estimativa divulgada para 2017. Para a presidente do Conselho Municipal do Idoso de Mogi das Cruzes, Juraci Fernandes, a falta de vagas nas instituições de acolhimento é um dos principais desafios. A estimativa é que mais de 30 pessoas estejam na fila de espera do serviço.
Juraci informou que, em conjunto com as secretarias de Saúde e Assistência Social, e a Vigilância Sanitária, a ideia é criar um plano de emergência para abrir entre 15 a 20 vagas nas instituições de acolhimento do município. "Hoje, temos 30 pessoas que têm nome e endereço, mas existem muitas outras que são desconhecidas, que não sabem onde buscar ajuda. É assustador. O Ministério Público já conversou com a Prefeitura, pois o Conselho fez uma denúncia. Foi dado um prazo, mas os idosos não podem esperar", disse.
Segundo Juraci, parte das pessoas que está na lista de espera por vagas em instituições de acolhimento mora com familiares, mas que não oferecem as condições adequadas de convivência. Outros idosos estão em abrigos para moradores de rua, situação que não é adequada. Atualmente, o município tem três unidades de instituições de acolhimento públicas. Um serviço particular custa em torno de R$ 4 a R$ 5 mil por mês, de acordo com a presidente. "Os últimos dados apontam que apenas 25% da população idosa recebe três salários mínimos, os outros 75% ganham abaixo disso", acrescentou.
A presidente e diretora da Universidade Aberta à Integração (Unai) reforçou que os idosos são vítimas de diversas violências. "Temos que ver essa situação de uma forma geral, são violências de convivência, psicológica, física, econômica e estrutural", esclareceu. Juraci informou que muitas vezes as violências partem da própria família do idoso que não está preparada para cuidar dessas pessoas. Dados analisados pelo Conselho apontam que Jundiapeba é um dos locais que mais registram casos de violência contra a população idosa.
Para a diretora, a violência econômica é uma das que mais afetam as pessoas com idade acima de 60 anos. "Eles são vítimas de familiares, que fazem empréstimos consignados. Tinha que haver uma fiscalização mais intensa, para comprovar que é o idoso que realmente está fazendo a transação. Os idosos são alvos de outros golpes, como o do bilhete premiado", destacou.
Avanço
No dia de conscientização de violência contra o idoso, a presidente avaliou que existem motivos para comemorar. "Durante reunião com o secretário municipal de Saúde, Marcello Cusatis, ele informou que o serviço de fisioterapia que era realizado nas instituições de longa permanência, mas estava suspenso, será retomado. A partir do dia 1º de julho, os idosos também terão preferência no agendamento de consultas do 160 às sextas-feiras. Temos na cidade, ainda, dez núcleos de convivência. Esse serviço traz o idoso para o convívio social e previne que ele sofra violência. A importância é que o Conselho não está sozinho, temos o apoio dos centros de referência", finalizou.