Apesar do acordo assinado pelo governo federal com alguns sindicatos dos caminhoneiros para suspender as manifestações por 15 dias, na noite de anteontem, o trato não foi acatado pela categoria, e as manifestações continuaram ontem pelo quinto dia consecutivo na região. Durante todo o dia, diferentes rodovias da região ficaram com o tráfego lento e muitos caminhões estacionados na beira das estradas.
Como ação emergencial pelo não cumprimento do acordo por parte dos caminhoneiros, o presidente Michel Temer (MDB), em pronunciamento na tarde de ontem, afirmou que acionará as forças armadas para desbloquear as estradas da "minoria radical" que, segundo ele, ainda insiste nas manifestações. O carreteiro Antônio Roberto do Nascimento, de 54 anos, diz que a ameaça de Temer vai trazer ainda mais confusão. "Se o Exército vier, a situação só irá piorar, pois não estamos fazendo nada de ilegal, apenas manifestando nossa insatisfação por esse valor absurdo cobrado pelo diesel", afirmou.
Por sua vez, o caminhoneiro Marco Antonio Pereira, 50, disse que está parado desde o começo dos protestos e que vai até o final das manifestações. Conforme justificou, seu prejuízo seria maior se estivesse rodando com o seu caminhão. "Ficando parado eu estou perdendo dinheiro. Se estivesse rodando, iria ganhar cerca de R$ 450 por viagem, mas gastaria R$ 150 em diesel mais os pedágios e assim por diante", contou.
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou na tarde de ontem que diferentes trechos da região contam com lentidão. Um deles foi na SP-88, na altura do km 68, mas que acabou por volta das 14 horas de ontem. Já na Rodovia Índio Tibiriça (SP-31) teve manifestações no km 53, próximo a Ribeirão Pires.
Já na rodovia Presidente Dutra (BR-116) houve dois pontos com trânsito moderado, entre as cidades de Arujá e Santa Isabel durante todo o dia. Ao anoitecer, segundo o DER, a lentidão permanecia apenas em Santa Isabel, na altura do km 186.
Mas, dentre todas as rodovias, a que mais chamou atenção pela mobilização dos caminhoneiros foi a SP-66, entre as cidades de Suzano e Mogi das Cruzes. Durante todo o dia, muitos caminhões permaneceram estacionados em frente às fábricas da Suzano Papel e Celulose e Melhoramentos.
Vans
Em apoio às manifestações, alguns motoristas de vans escolares da região se uniram ao movimento e fizeram passeatas nas cidades do Alto Tietê. Em Itaquá, os motoristas de vans se reuniram em frente a entrada do Parque Ecológico e se dirigiram até a sede da Prefeitura, pedindo mais respeito pela categoria.
Também em Suzano, os motoristas de transporte escolar se uniram aos caminhoneiros e fizeram uma fila de veículos que percorreu a rua Prudente de Moraes, no centro da cidade.
* Texto supervisionado pelo editor