Devido à greve dos caminhoneiros, muitas pessoas já estão se prevenindo, e decidiram abastecer seus veículos e estocar alimentos, principalmente em Mogi das Cruzes. A Equipe do Mogi News apurou que a população ainda está incerta com a situação e, mesmo com o acordo proposto pela União, não se sente segura financeiramente. 
Na manhã de ontem, os postos de combustível de Mogi estavam com grandes filas de espera e, por isso, a cidade presenciou alguns pontos de lentidão no trânsito.
Como comentou a fotógrafa Flávia Taverna, 37 anos, que conseguiu abastecer seu carro a tempo, antes dos postos de combustível finalizarem seus estoques, mas que, mesmo assim, ainda está com medo de gastar a gasolina. "Eu tinha um compromisso em São Paulo hoje, mas desisti pois prefiro economizar e garantir o uso do carro por mais algum tempo", disse ela.
Flávia acrescentou que viu muitas pessoas fazendo estoques de alimentos, enquanto outras ficaram sem garantir os produtos que precisavam. Além disso, a fotógrafa acredita que a greve não vai terminar tão cedo. "Ainda teremos um final de semana difícil, mas penso que até segunda-feira que vem, tudo irá normalizar", concluiu.
Já a estudante Millena Buque, 21, teve de gastar um valor que considera acima da média, para garantir a gasolina para seu carro. Assim como ela, o aposentado Antonio Carlos Beltran, 58, disse que a cidade estava vazia e sentiu que as pessoas estão evitando sair de casa. "Hoje está parecendo feriado, pois os ônibus estão demorando muito", ressaltou.
Mas mesmo com o acordo proposto nos últimos dias, alguns especialistas explicam que essa opção não irá garantir melhorias a longo prazo e que o governo deve optar por revisões da carga tributária, como explicou o professor de Ciências Contábeis e Administração, José Marcos Carvalho. "As medidas paliativas escolhidas não vão garantir que, daqui a dois meses, a situação estará solucionada", disse ele.
O professor apontou que a greve irá impactar na inflação e na escassez de produtos, e explicou que o acordo irá refletir na economia do país. "O governo irá absorver o custo, junto à Petrobras, e deixará de ganhar R$ 5 bilhões, então terão que buscar a diferença de outra forma, então alguém terá que pagar a conta", explicou.
Em relação às possíveis soluções, Carvalho disse que os Estados também poderiam fazer uma ação em comum. "Se cada um reduzisse o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), também iria ajudar no valor", declarou o especialista, que concluiu dizendo que toda a população sente os reflexos da greve.
"Os alimentos e itens essenciais não conseguem chegar às redes, em um momento em que o Brasil é um país voltado à malha rodoviária, então todos vão sentir o aumento dos preços dos produtos", finalizou o professor.
* Texto supervisionado pelo editor.