Compartilhe
Os pedestres que passam diariamente pela rua Capitão Manoel Rudge, na Vila Oliveira, em Mogi das Cruzes, defendem as mudanças na via propostas pela Secretaria de Transportes. O grupo Mogi News constatou que há controvérsias, pois os motoristas e os comerciantes da região não são favoráveis às alterações. A proposta principal é a transformação da rua em mão única de direção, com os veículos circulando apenas no sentido centro-bairro.
Um desses exemplos é a opinião da arquiteta e moradora do bairro, Sônia de Oliveira, 64 anos, que reclamou da dificuldade para atravessar a rua. "É muito complicado para quem passar por aqui a pé, pois tem que esperar muito e se arriscar, além de já ser muito ruim também para estacionar", ressaltou ela.
Outro caso semelhante é o de Antonio de Souza, 32 anos, que é engenheiro civil e começou a trabalhar em uma obra no local há dois meses. "Passo por aqui diariamente há pouco tempo e já percebi o quanto é ruim atravessar. Se fosse uma rua com só uma mão, seria menos arriscado", afirmou.
A mesma dificuldade foi apontada pela professora aposentada Cecília Soria, 65 anos, que passa pelo local a pé e também de carro. "O maior problema é a falta de respeito dos motoristas, pois vivemos em um país em que as pessoas não têm costume de parar quando veem alguém na faixa de pedestres, então deve-se mudar o sistema para que fique mais prático e usual para a população", argumentou ela, que aproveitou para destacar outro ponto na cidade em que a travessia também era um problema.
"A rua José Bonifácio, na conexão com a Coronel Moreira da Glória, antes não tinha semáforo e faixa de pedestres, agora ficou bem melhor. O problema é que os motoristas não gostam de parar e dar passagem", lamentou a professora.
Cecília reforçou que a falta de sinalização aliada à falta de educação de algumas pessoas faz com que o trânsito fique ainda mais difícil. "As pessoas precisam ser gentis", concluiu.
Contrapontos
Como publicado na última terça-feira pelo grupo Mogi News, o projeto que propõe a mudança não agrada os comerciantes e motoristas, já que teria a alteração da avenida Capitão Manoel Rudge, no sentido centro-bairro, e da avenida Laurinda Cardoso de Mello Freire e a rua Sebastião Domingues no sentido bairro-centro.
Sobre isso, o arquiteto, urbanista e membro da Associação dos Moradores da Vila Oliveira e Adjacências (AMVOA), Selmo Roberto Santos, escreveu uma carta explicando sua opinião contrária ao projeto. Ele reforçou que a ação pode fazer com que se instalem mais semáforos no local e haja maior fluxo de trânsito, comparando com a quantidade de semáforos das ruas José Bonifácio, Barão de Jaceguai e Ricardo Vilela.
"O maior reflexo de medidas nessas ruas foram sentidas no comércio e serviços. Devido às calçadas serem desprovidas de passeios públicos, dificultando aos transeuntes terem tempo para ver, sentir e interagir com os espaços, fez com que houvesse fuga das pessoas e assim será fadado a se implantarem muitos semáforos nas diversas esquinas da Manoel Rudge", finalizou.
* Texto supervisionado pelo editor.