O prefeito Marcus Melo (PSDB) decretou ontem estado de emergência em Mogi das Cruzes e determinou a requisição de combustíveis dos postos para abastecimento exclusivo de veículos oficiais da Prefeitura. A decisão foi tomada devido ao desabastecimento provocado pela paralisação dos caminhoneiros. A greve está afetando vários setores e provocando escassez de insumos em todo o país.
O anúncio foi feito durante lançamento do projeto "Novos Caminhos" (veja mais na página 3). Outra decisão foi o cancelamento do evento Bairro Feliz, que estava marcado para hoje, na Escola Municipal Fujitaro Nagao. De acordo com Melo, a justificativa é pelo fato da escassez de combustível e da redução na frota de veículos.
Os estoques de combustível dos veículos oficiais estão acabando, o que é mais preocupante no caso de veículos de atendimento essencial, como ambulâncias, transporte escolar e viaturas da Guarda Municipal e do Corpo de Bombeiros. O documento autoriza os secretários de Segurança e de Serviços Urbanos a identificar e requisitar o estoque de combustíveis de postos do município, e também dá permissão à Guarda Municipal para "utilizar os meios que forem estritamente necessários ao cumprimento da requisição".
"Logo de manhã entendemos que haveria uma normalidade durante o dia, que o sistema de abastecimento voltasse, mas não aconteceu. Estamos tomando essa medida para permitir que possamos fazer essa requisição e priorizar os atendimentos essenciais e emergenciais", afirmou Melo.
Em relação ao anúncio feito ontem pelo presidente Michel Temer (MDB), de acionar forças federais para desbloquear as rodovias, Melo ressaltou que esse é um momento de muita fragilidade, mas espera que Mogi retorne com a normalidade de abastecimento.
"Esperamos que aqui em Mogi o abastecimento retorne à normalidade. Vai afetar muito a atividade econômica, a agricultura, mas, numa maneira geral, o abastecimento", disse.
A dificuldade para continuar com os trabalhos na agricultura no município já é reflexo da greve dos caminhoneiros. O produtor rural Josemir Barbosa de Morais, de Jundiapeba, contou que durante a semana teve prejuízo de 100% na colheita. "O setor está sendo afetado, são alimentos perecíveis, já tem algum dano na produção em virtude de chegar o dia da colheita e você não colher. Todos os clientes cancelaram as compras. Estamos prevendo que isso vai continuar por mais alguns dias", disse.
O secretário de Agricultura, Renato Abdo, também ressaltou que os produtores não estão nem colhendo os produtos. "Os reflexos são grandes, já há uma escassez de produtos frescos, não temos mais, as entregas não foram feitas. Não está fácil, é um golpe de sorte. Alguns dos produtores não estão nem colhendo", lamentou.