A greve dos caminhoneiros, que entra hoje em seu nono dia, já provocou um prejuízo entre 20% e 25% aos produtores rurais de Mogi das Cruzes. Os mais afetados são os que produzem hortaliças. O município é abastecido atualmente com os itens produzidos na cidade. Produtos como cebola, batata e alho já estão difíceis de serem encontrados. As informações são do secretário de Agricultura, Renato Abdo.
Durante a capacitação dos feirantes realizada na sede do Sebrae Alto Tietê, Abdo esclareceu que o Mercado do Produtor Minor Harada, a Cobal, está sendo abastecido com itens produzidos nas propriedades rurais da cidade. "Os produtos frescos sofrem um grande impacto. O Mercado do Produtor zerou o estoque na sexta-feira. Hoje (ontem) é um dia que trabalhamos com o mercado atacadista, e tivemos exclusivamente produtos da região como hortaliças folhosas, alguns legumes frescos, a fruta da região, que é o caqui. Já as frutas de fora, a batata, a cebola e o alho já estão com estoque zerado", disse.
Abdo esclareceu que a greve terá impactos a longo prazo aos agricultores do município. "Houve uma perda muito grande no campo, pois cada dia que não se colhe, os produtos passam do ponto de colheita. Perdemos itens colhidos que tiveram de ser descartados, pois não tinha como distribuir. Os mais afetados são os produtores de hortaliças, pois atrapalha o ciclo de produção. Sem combustível, não tem como fazer o plantio da área já colhida. Vai retardar o plantio e consequentemente o ganho financeiro", detalhou.
De acordo com o secretário, alguns produtores já estão sentido a falta do combustível. "Eles estão trabalhando dentro do que é necessário para continuar o abastecimento. Só de ter liberado as rodovias, os produtos já conseguem chegar. Agora, é preciso esperar normalizar o combustível", afirmou. Abdo acrescentou que as feiras livres ainda contam com produtos por causa da produção regional e porque alguns feirantes fizeram compras antes da greve se aprofundar.
A feirante Arivalda Alves Oliveira, de 52 anos, começou a trabalhar nas feiras livres há pouco tempo e já tem sofrido com os impactos da greve. Ela não tem conseguido combustível para trabalhar. "Ontem (domingo) não fui trabalhar e amanhã (hoje) também não poderia ir, mas temos que apoiar a greve. Atrapalhou porque estamos começando a trabalhar e fizemos um grande investimento. Pego os produtos direto com os produtores e os legumes na Cobal, mas tem coisa faltando. A batata está R$ 400 a saca, não dá para comprar", avaliou.