Os feirantes da região ainda estão incertos em relação às suas atividades na próxima semana, já que não sabem se terão produtos suficientes para vender e manter o atendimento ao público. Nas feiras livres de Mogi das Cruzes e de Suzano, na manhã de ontem, muitos comerciantes comentaram sobre a redução no volume de clientes e de barracas, em virtude da greve dos caminhoneiros.
Na feira da Vila Amorim, em Suzano, o feirante Maxwell Durães, 21 anos, comentou sobre o forte impacto causado pela greve. "Vou por conta própria ao mercado, porém eles não receberam produtos para conseguir vender para nós, então, se não normalizar, na próxima semana não sabemos se vamos conseguir trabalhar", contou ele. 
Durães reforçou que as mercadorias em geral não estão chegando a um preço acessível para o consumidor. "As pessoas preferem gastar muito com combustível e pouco com a comida, então falta nas prateleiras, mas não nos carros", disse o feirante. Ele concluiu dizendo que frutas como mamão e melão estão em falta.
Entretanto, outros comerciantes não conseguiram sequer expor os produtos por conta da falta de mercadorias, como foi o caso da Leonice do Nascimento, 67, que vende limão, mandioca, batata doce e abóbora. Na manhã de ontem, ela não tinha muito a oferecer aos consumidores. "Tudo estragou na estrada e estou sem receber nada. Não sei se isso vai melhorar na semana que vem, então, pode ser que eu não venha trabalhar", refletiu ela.
Já Iolanda Ferreira, 60, que possui uma barraca para comercializar ovos, afirmou que o movimento estava bom. "Tem muitos fregueses, pois os supermercados não têm ovos para vender, mas nós compramos de uma granja em Palmeiras", explicou.
A vendedora disse que conseguiu abastecer as vans e ir buscar os produtos. Além disso, ela reforçou que não alterou o preço dos ovos e manteve os valores que já estavam antes do começo da greve.
Em Mogi das Cruzes, na feira livre de Jundiapeba, o feirante Alex Coelho, 29, comercializa bananas. Ele afirmou que, na última terça-feira, foi o primeiro dia em que seu trabalho esteve prejudicado. "Estava recebendo a mercadoria normalmente, mas não veio mais e a preocupação é grande", disse ele. O comerciante acrescentou que a expectativa para esse final de semana é que não tenha o produto caso a situação não normalize.
Coelho contou também que outros três comerciantes haviam faltado por carência de produtos e que o volume de pessoas na feira também estava mais baixo.
Mas para outros, como a comerciante Glória Passos, 56, o prejuízo não foi tão grande. Ela diz que conseguiu encontrar saídas para não depender das entregas. "Cultivo batata, tomate, pimentão e vagem, e trouxe alguns para vender. Mas, mesmo assim, ainda preciso das entregas, principalmente de cebolas", apontou ela. Glória acredita que a redução de público nas feiras girou em torno de 20%.
A Prefeitura de Mogi das Cruzes divulgou em nota que "estão faltando produtos que não são produzidos na região e outros que têm problemas de distribuição". Para a administração, o movimento está um pouco abaixo do normal.
* Texto supervisionado pelo editor.