A Secretaria de Saúde de Mogi das Cruzes solicitou à Secretaria de Estado da Saúde que o Pronto-Socorro Infantil do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo seja reaberto. A medida tem o objetivo de desafogar os serviços municipais que tem sofrido com a alta demanda, especialmente de pacientes vindos de outras cidades. O pedido tem apoio de todas as cidades da região. A informação foi divulgada pelo secretário municipal de Saúde, Marcello Cusatis, durante reunião na Câmara de Mogi.
Cusatis explicou que a reabertura do PS do Luzia ajudaria a desafogar a lotação nas unidades municipais. "Uma forma de ajudar é abrindo novamente o Pronto-Socorro Infantil do Luzia ou alguma outra medida. Temos outros pedidos, como reforçar os hospitais de Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba. O Santa Marcelina, vira e mexe, fecha o pronto-socorro devido à lotação. Ferraz tem um hospital grande sem mão de obra, falta médico, recursos humanos. O efeito é cascata", ressaltou.
A solicitação foi aprovada pelo Colegiado Inter-regional de Saúde e todos os secretários de Saúde do Alto Tietê, incluindo Guarulhos, assinaram o pedido. "Óbvio que com o fechamento de um pronto-atendimento regional, a demanda da região veio para Mogi. Isso ocorre desde 2016. Até então estava controlado, mas agora está indo não só para o Hospital Municipal, mas para o Pró-Criança e outras unidades do município. Temos que ter a responsabilidade de achar vaga para quem é de Mogi e de outras cidades também", reforçou o secretário.
De acordo com Cusatis, o pacto celebrado entre o município e o Estado previu o fechamento do PS Infantil do Luzia, mas a unidade ficaria responsável pelas vagas de internações de casos graves. "Isto ocorre na rotina, mas também vive cheio. Ontem (terça-feira), por exemplo, uma criança ficou desde as 17 horas no Pró-Criança e não conseguiu a vaga. Temos um contrato, ficou planejado 50 internações infantis no Municipal, veio a crise da H1N1 em 2016 e esse número foi para 150 internações", argumentou.
O secretário ressaltou que a superlotação também gera problemas financeiros, pois o município tem que desembolsar mais para atender a demanda ou deixar de prestar outros serviços. "O governo do Estado cortou em 5% os repasses do Municipal. O Estado quer que a unidade faça o número de cirurgias e atenda as 172 internações infantis, mas cadê o recurso? O contrato do hospital é altamente deficitário, inclusive, o prefeito vai amanhã (hoje) cedo fazer uma reunião. Ele vai visitar para ficar a par do que está ocorrendo. Estamos gastando com o pronto-atendimento e deixando de fazer cirurgia eletivas", afirmou.
O vereador Mauro Araújo (MDB) informou que pedirá que todas as câmaras da região do Alto Tietê aprovem moções solicitando que o PS Infantil do Luzia seja reaberto.