O prefeito Marcus Melo (PSDB) solicitou uma reunião com o secretário de Estado da Saúde, Marco Antônio Zago, para tratar sobre a lotação nas unidades pronto-socorro municipais, especialmente as pediátricas. A Secretaria Municipal de Saúde já havia solicitado a reabertura do PS do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo. O excesso de pacientes em Mogi é causado especialmente pela vinda de moradores de outras cidades. 
Ontem, Melo participou de uma reunião no Hospital Municipal de Mogi das Cruzes, que conta com um pronto-socorro infantil e que tem recebido uma grande demanda de pacientes. "Na visita à unidade, dos oito pacientes que estavam sendo atendidos, seis eram de cidades vizinhas. Entendemos que as mães que estão com os filhos doentes nesse período precisam de atendimento. Estamos pedindo para o Estado reabrir o PS Infantil do Luzia e para o governo estadual devolver os repasses que eles reduziram na ordem de 5%, não apenas para Mogi, mas para todas as cidades", ressaltou.
Segundo dados da Prefeitura, até dezembro de 2016 o governo estadual repassava R$ 700 mil mensais para o Hospital Municipal. Já a partir de 19 de janeiro de 2017, quando o convênio 719, de 22 de dezembro de 2016, passou a vigorar, o valor por mês foi reduzido para R$ 665 mil. O contrato é válido até dezembro de 2019.
Pelo levantamento divulgado pela Prefeitura, em março, dos 7.572 atendimentos feitos no Pró-Criança, 1.902 eram de pacientes de cidades vizinhas, o que representa 25%. "Estamos cobrando a reabertura do PS do Luzia por causa da quantidade de pessoas que estão utilizando o sistema de saúde de Mogi. Elas procuram a cidade, pois sabem que as coisas funcionam, só que isso vem prejudicando, inclusive o plano de trabalho que foi pensado e executado para os nossos moradores", destacou Melo.
O prefeito informou que o Hospital Municipal está sendo afetado pela alta procura. "Temos um plano de trabalho. Isso é ruim, pois a Prefeitura faz seu planejamento, destina recursos para serem investidos na saúde para os mogianos e, nesse momento, temos que atender as pessoas que não acham saúde nas outras cidades", disse.
Resposta
A Secretaria Estadual de Saúde voltou a negar o corte de repasse de verba para as unidades de saúde, conforme foi dito pelo prefeito Melo, o secretário de Saúde Marcello Cusatis e o veraador Mauro Araújo.
Segundo a pasta, o ronto-socorro infantil do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo nunca foi fechado. O atendimento pediátrico é referenciado e prioriza atendimentos aos casos de alta complexidade, em conformidade com o perfil assistencial da unidade. O atendimento na especialidade de Pediatria, conforme preconiza o SUS, compete primordialmente à rede básica de Saúde.
A nota enviada do Estado diz ainda que o pedido referente ao recebimento de demanda espontânea no Luzia foi recebido na quarta-feira, 25 de abril, em reunião da Comissão Intergestores Regional (CIR) e será avaliado tecnicamente. A Secretaria de Estado da Saúde apoia voluntaria e financeiramente o Hospital Municipal Braz Cubas, que está sob gestão da Prefeitura.
Segundo a pasta estadual, de 2014 para 2017, o valor repassado à unidade, por meio de convênios, mais do que dobrou. Nos últimos quatro anos, foram destinados
R$ 28,4 milhões à unidade, no total. "Portanto, é indevido falar em corte", esclarece a nota.
Para completar, destacar, ainda, que a pasta mantém convênios com diversas entidades da região do Alto Tietê, desde 2014 foram repassados de forma voluntária mais de R$ 548 milhões. Além disso o governo do Estado mantém na região do Alto Tietê, sem qualquer contrapartida, seis hospitais e um Ambulatório Médico de Especialidades (AME), com custo anual de R$ 769,5 milhões.
E, finaliza: "O Departamento Regional de Saúde (DRS) da Grande São Paulo acompanha continuamente a situação dos atendimentos na região e, se houver eventualmente ocupação máxima de leitos em uma determinada cidade, os pacientes podem ser transferidos a outros hospitais da região e do Estado que ofereçam esse recurso.