"A Mogi-Bertioga ainda vai pagar um preço altíssimo". Essa foi a afirmação do geólogo e ex-diretor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Álvaro Rodrigues dos Santos, há oito anos, em entrevista. De acordo com ele, entrevistado ontem pela nossa reportagem, para a construção da rodovia foi necessário usar toneladas de explosivos para abrir caminhos, causando o desequilíbrio do solo na área. "O grande problema foram as pistas abertas encaixando nas encostas, representando uma agressão muito grande", concluiu.
Durante a construção da rodovia, na década de 1980, o geólogo contou que o IPT fez muito esforço para conseguir ter uma participação técnica, pois já previam os problemas atuais. "Iniciado o processo, fizemos muito esforço para ter uma participação técnica, estávamos prevendo esses problemas, mas não foi permitido. Fomos conversar com o poder público, isso em 1983 ou 1984. Tentamos colaborar de todas as formas para que esse projeto fosse o mais correto possível", relatou.
Outro fator que pode estar colaborando para as quedas de barreira são os altos índices de chuvas e a falta de manutenção, como afirma o arquiteto Paulo Pinhal. De acordo com ele, os fatos que estão acontecendo hoje são efeitos da falta de manutenção dos últimos 30 anos da rodovia. "A região é instável por conta do alto índice pluviométrico e, desde que inauguraram a estrada, já era do conhecimento do DER as obras e manutenções necessárias que deveriam ser executadas para a estabilidade da estrada". 
DER
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que o monitoramento da rodovia é realizado de forma ininterrupta por meio das viaturas das Unidades Básicas de Atendimento (UBA). Ao se constatar qualquer tipo de anormalidade como movimentação de sedimentos gerado pelo aumento do índice pluviométrico ou queda de vegetação, a UBA toma as providências necessárias para garantir a segurança dos usuários". 
O departamento esclarece também que a SP-98 possui boa sinalização, tanto horizontal quanto vertical. Em seu trecho de serra, a rodovia possui baias para parada emergencial. Além disso, a via recebe serviços de conservação e manutenção diária.
Duplicação
Por sua vez, o arquiteto Paulo Pinhal, criou um projeto para construção de pistas sobrepostas, vendo a necessidade por conta do aumento de trânsito. A proposta é a construção de uma estrada em cima da pista existente, que é composta por pórticos colocados às margens da estrada e com lajes estaiadas, fazendo com que a estrada não fosse interditada para a construção. "A necessidade de duplicação da pista é um assunto debatido constantemente, mas devido à uma série de fatores, isso não ocorreu - entre eles a questão da estrada estar cortando o Parque Estadual da Serra do Mar e outras áreas que são de mananciais, além das questões de desapropriações e do impacto ambiental que a duplicação causará", afirma.