O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, comprometeu-se a estudar a possibilidade de adiar, até 31 de dezembro deste ano, o prazo final para elaboração do Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma das etapas intermediárias na implementação do novo Código Florestal. O pedido foi apresentado ontem pelo deputado federal Junji Abe (MDB-SP) e demais integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, durante reunião-almoço do colegiado, presidido pela deputada Tereza Cristina (DEM-MS).
"Sem o CAR, os produtores não conseguem atender exigência do Programa de Regularização Ambiental (PRA). A situação é ainda mais delicada no Estado de São Paulo, onde estão os polos produtivos de hortifrutiflorigranjeiros, marcados por propriedades de dimensão reduzida, porém, com intensa aplicação de tecnologia", observou Junji. Ele explicou que esses agricultores ocupam áreas consideradas várzeas e encostas (áreas de topografia íngreme), o que agrava as dificuldades para a inserção das informações na base de dados do sistema.
Junji exemplificou citando Mogi das Cruzes, referencial brasileiro em tecnologia na horticultura, e cidades vizinhas do Alto Tietê. Quase a totalidade dos agricultores não pode pagar por assistência especializada para isso, como informou, salientando que fazer a inscrição requer conhecimento e tempo. "Falamos de produtores já severamente penalizados por terem perdido parte das suas áreas para barragens ou conviverem com represas destinadas a combater enchentes e garantir o abastecimento de água para milhões de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo", finalizou.