O diretor geral do Semae, Paulo Beono, e sua equipe técnica estiveram na Câmara de Mogi das Cruzes, na manhã de ontem para uma reunião com os vereadores a respeito da qualidade da água entregue aos munícipes pela autarquia. Na semana passada, houve muita reclamação da população sobre a coloração da água que chegou às residências.
Beono começou a reunião explicando como é feita a captação de água no rio Tietê e quais caminhos ela percorre para ser tratada e disponibilizada à população. De acordo com o diretor geral, na última semana houve uma queda brusca no nível do rio, que atingiu principalmente o ponto de captação do Semae, problema originado por mudanças no regime de vazão de água promovidas Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), nas represas de Paraitinga e Ponte Nova, em Salesópolis, e na captação da Sabesp, em Biritiba Mirim.
O diretor ainda explicou que essa mudança brusca alterou a coloração da água captada, deixando-a mais escura e com uma alta concentração de manganês. Além disso, de acordo com os técnicos, nos últimos dois anos, a presença de vegetação flutuante (aguapé) e submersa (elódea) se intensificou no rio, agravando ainda mais a situação.
Questionado pelos vereadores acerca da normalização do serviço, Beono minimizou a situação e informou que o problema de coloração foi resolvido. "A gente conseguiu contornar a situação e o tratamento de água está normalizado desde sábado", informou.
O plano de contingência adotado pelo Semae para resolver o problema da coloração da água, segundo Beono, foi reduzir a vazão de água na cidade e fazer os testes necessários para determinar a dosagem correta dos produtos químicos para o tratamento. Além disso, a Autarquia manteve contínuo contato com o DAEE e Sabesp afim de obter informações sobre as possíveis causas do problema.
O vereador Antonio Lino, que é membro da Comissão Permanente de Serviços Públicos e Semae criticou a atuação do DAEE e da Sabesp e levantou a possibilidade de uma manobra da Sabesp para adquirir o Semae. "Pelas explicações que recebemos, podemos ver que o funcionamento do Semae depende 100% da Sabesp e do DAEE. Isso nos preocupa porque a Sabesp já tentou inúmeras vezes adquirir o Semae. Talvez eles estejam forçando a barra para que a gente perca a capacidade de tratar a água e venda a autarquia para eles", ressaltou.
Paulo Beono demonstrou preocupação com a atual situação do Tietê e expôs aos vereadores a necessidade de traçar alternativas para o abastecimento de água da cidade, seja recuperando o rio ou buscando outras fontes de captação.
Também participaram da reunião os vereadores Cláudio Miyake (PSDB ), Otto Rezende (PSD), Rodrigo Valverde (PT), Protássio Nogueira (PSD) e Edson Santos (PSD), além do secretário do Verde e Meio Ambiente, Daniel Teixeira.