A Prefeitura de Poá retirou os brinquedos de diversas praças da cidade e moradores reclamam da medida. De acordo com a administração municipal, "os equipamentos foram interditados por estarem em desacordo com a nova norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)". A norma com orientações para segurança de balanços, escorregadores, gangorras, carrosséis, entre outros brinquedos instalados em escolas, creches e áreas de lazer é de junho de 2012.
Conforme explicou em nota, "a administração municipal vem realizando constantemente vistorias, bem como adotando providências necessárias para manutenção, reparos e consertos ou mesmo interdição (parcial ou total) de praças públicas ou qualquer outro prédio próprio municipal que contenha brinquedos destinados ao lazer", informou a Prefeitura.
Em dezembro do ano passado, houve uma vistoria em praças públicas e prédios municipais com brinquedos após a morte da menina Letícia Rayanny Marcelino, de 9 anos, que morreu depois da ruptura da estrutura do balanço em que ela brincava, na praça Antônio Sanches, no bairro Jardim Romeros. O laudo do Instituto de Criminalística (IC), divulgado recentemente, apontou que a razão do acidente foi a má conservação do brinquedo. 
Questionado pela reportagem sobre a retirada dos brinquedos na cidade, o Ministério Público (MP) informou que "existe uma representação que foi protocolada no MP de Poá para apurar a quantidade de parques e praças com brinquedos e outros equipamentos de lazer há na cidade, constatando-se o estado de conservação e aferindo se oferecem risco não razoável àqueles que deles se utilizam. A apuração está sendo conduzida pelo promotor de Justiça Carlos Bruno Gaia".
Problemas
A equipe do Dat esteve ontem na Praça da Bíblia e na Praça dos Eventos, onde os brinquedos foram retirados. A dona de casa e moradora do centro da cidade, Luciana Moreira, de 34 anos, destacou problemas na manutenção dos equipamentos. "Depois que aconteceu um acidente é que a Prefeitura toma alguma providência. Eles estão certos de fazer a manutenção, pena que já é muito tarde. Eu tenho dois filhos, uma menina de nove anos e um menino de três, mas nunca trouxe para brincar aqui. Os parques já estavam condenados, os brinquedos estavam podres, já vi várias crianças se machucando", contou.
Os brinquedos nas praças eram a única forma de diversão que a cidade proporcionava, segundo a auxiliar de limpeza e moradora do Jardim São José, Maria José de Freitas, 49. "Manutenção tem que fazer sempre, mas acho errado fechar e tirar os brinquedos. Este é um dos únicos lazeres que as crianças têm. É triste", falou.
Além de trazer diversões para os poaenses, os parques eram opções para moradores de outras cidades, como o pintor e morador de Itaquaquecetuba, William Ferreira, 36. "Eu não sabia que os brinquedos foram retirados, foi uma surpresa. Eu sempre trouxe minhas filhas de seis e quatro anos. Manutenção tem que fazer mesmo", ressaltou.
Os locais onde os equipamentos foram retirados contêm uma placa que informa a ação da Prefeitura de Poá e conclui sobre os brinquedos que "brevemente serão substituídos por outros que tenham mais segurança e adequados às normas". (*Texto supervisionado pelo editor)