Ele compartilha a manhã de domingo com muitas pessoas. Com ele, o jornalista mais premiado do Brasil, você deve ter aprendido um pouco sobre agricultura, pecuária e a vida, não só a do campo. Foi com uma bagagem de 60 anos vivendo jornalismo que José Hamilton Ribeiro deu uma aula magna aos estudantes de Jornalismo da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). O repórter do Globo Rural falou sobre suas experiências, dividiu causos com os alunos e inspirou muitas pessoas na noite de terça-feira.
Ribeiro e o jornalista Arnon Gomes, autor da biografia sobre a vida do repórter "O jornalista mais premiado do Brasil", participaram do evento. Para os estudantes de comunicação da UMC, Ribeiro falou sobre sua experiência cobrindo a Guerra do Vietnã pela revista Realidade, onde, ao pisar em uma mina terrestre, perdeu parte da perna esquerda, revelou quais reportagens foram as mais marcantes e também aconselhou os jovens que logo estarão no mercado de trabalho.
Com voz mansa e cativante, Ribeiro contou causos de Minas Gerais e Nordeste, muitos deles que se tornaram grandes reportagens. Apenas no Globo Rural ele acumula 800. "Uma reportagem de televisão é sempre um desafio, você começa muito inseguro. O que resolve é o personagem. Se ele for bom, autêntico e sincero, aquilo passa e tem efeito agradável", destacou.
Durante a palestra, o repórter reforçou que a profissão é competitiva e não é fácil. "A pessoa, para conseguir o seu lugar, tem que arranhar o muro com a unha", aconselhou.
Ele aproveitou ainda para falar das "fakes news". "A Internet é uma 'farofa' de notícias, entre aspas, pois você não sabe se é verdade ou não. Quando vê uma informação no jornal, na televisão, em rádio, tem alguém responsável por ela. É possível cobrá-la, processá-la na Justiça se falar alguma bobagem. Na Internet, não tem esse controle", justificou.
O repórter comentou ainda sobre as tecnologias utilizadas atualmente. "O repórter que acha que vai resolver no Google os problemas de uma reportagem está perdido, pois ele dá uma visão superficial, muito menos do que uma boa reportagem exige", ressaltou.