O superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Ricardo Borsari, estipulou o prazo de três semanas para dar um parecer sobre as solicitações apresentadas pelo prefeito Marcus Melo (PSDB) e o diretor-geral do Semae, Paulo Beono Jr., para melhoria das condições da água captada no Rio Tietê para tratamento e abastecimento público de Mogi das Cruzes. O encontro ocorreu ontem, em São Paulo, na sede do departamento responsável pela gestão dos recursos hídricos do Estado.
São três os pedidos apresentados: limpeza da vegetação aquática do Tietê (entre o ponto de captação da Sabesp, em Biritiba Mirim, e a captação do Semae, no bairro Rio Acima), estreitamento do diálogo entre Município e Estado sobre o regime de operação das represas de Biritiba e Salesópolis (o que interfere no nível, volume e qualidade da água do rio) e autorização (outorga) para que a autarquia mogiana capte água na barragem de Taiaçupeba.
O objetivo dessas medidas é evitar episódios como o dos dias 23 e 24 de fevereiro, quando uma mudança brusca no nível da água do Tietê provocou alta concentração de manganês (20 vezes acima da média do ano passado), o que casou também problemas no tratamento e coloração da água distribuída pelo Semae.
Com relatórios e gráficos, o prefeito e o diretor-geral mostraram a relação desse fato, na ocasião, com a diminuição da vazão na represa de Ponte Nova e aumento da descarga na barragem de Paraitinga, ambas em Salesópolis. A água de Paraitinga é mais turva e escura.
Também naquele dia, em apenas 30 horas o nível do rio na estação de captação do Semae baixou de 1,86 metro para 1,32 metro, provavelmente por conta do aumento do volume captado pela Sabesp em Biritiba Mirim. A brusca redução do nível pode ter arrastado matéria orgânica e sedimentos, provocando a elevação do manganês.
"É um problema que não pode acontecer de novo e merece toda nossa atenção. Vamos analisar isso. Já pedi todos os dados desse período à Sabesp. Se identificarmos que houve uma operação equivocada, e que tenha gerado o problema, tanto a diretoria do DAEE responsável, quanto a Sabesp, serão notificados, para que isso seja rediscutido e os dados fiquem mais disponíveis ao Semae. Essa troca de informações não pode ficar na base do telefone", assegurou Borsari.