A lotação na maternidade da Santa Casa de Mogi das Cruzes ainda persiste e as medidas de contingenciamento estão sendo adotadas pelo hospital. Atualmente, o estabelecimento continua trabalhando acima de sua capacidade na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal com 26 bebês internados, quando a número de leitos é 25. A maternidade do hospital também trabalha em seu limite, dos 38 leitos, 37 estavam ocupados na manhã de ontem. No fim de semana circularam informações nas redes sociais sobre a possível morte de um bebê na unidade, o que foi desmentido pela Santa Casa.
A superlotação na maternidade se tornou um problema crônico. Desde o início do mês, tanto a área de enfermaria, onde as gestantes ficam, quanto à UTI Neonatal estão com excesso de pacientes. O ano passado também teve quatro superlotações.
De acordo com o Santa Casa, das 37 gestantes que estavam internadas, 32 eram de Mogi e o restante de outros municípios da região. Eram esperadas dez possíveis altas no setor para ontem.
Já o setor de UTI Neonatal estava com 26 bebês no total, nos quais 14 na própria UTI, seis no cuidados intermediários I, três nos cuidados intermediários II e três no bercário externo.
A Santa Casa colocou em prática um plano de contingência para assegurar qualidade no atendimento aos pacientes internados no serviço. Entre elas, está a restrição temporária no atendimento das gestantes; somente urgências e emergências obstétricas estão sendo atendidas. Outra medida adotada é a transferência de gestantes de risco e de bebês para outros serviços, além de notificar as autoridades responsáveis, como as secretarias estadual e municipal de Saúde, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).
A unidade aguarda uma manifestação do governo estadual para que uma obra de ampliação e reforma seja feita com a inclusão de 17 leitos para gestantes e dez na UTI Neonatal.
O secretário municipal de Saúde, Marcello Cusatis, disse que tem trabalhado para resolver a situação da superlotação. "A Santa Casa não está fechada. Não teve nenhum óbito relacionado a superlotação, a única no início do ano foi de um bebê que tinha um problema cardíaco importante. A UTI continua superlotada, o número de gestante está sob controle. O que temos feito é transferir as grávidas em que os bebês podem evoluir para a UTI, mas buscamos um local para ela tenha a criança lá", esclareceu.
Cusatis informou que procurou o Ministério Público para apresentar o que a Prefeitura tem planejado para enfrentar a superlotação. Uma delas é pressionar o Estado para que libere os recursos para ampliação da Santa Casa, outro é um projeto para construção de uma maternidade municipal, o que deve ser apresentado em março para em seguida a Prefeitura buscar recursos.
O secretário chegou a sugerir a contratação emergencial de leitos em hospitais particulares, mas já adiantou que a ação enfrenta obstáculos, pois as empresas não aceitam receber o valor da tabela SUS, o que poderia gerar questionamentos pelo Tribunal de Contas. A secretaria aguarda um retorno do MP.