A decisão do Ministério de Saúde de flexibilizar a aplicação dos recursos encaminhados aos municípios foi avaliada positivamente pelas cidades do Alto Tietê. A medida, que passará a valer a partir de 31 de janeiro, vai possibilitar que as Prefeituras redirecionem valores de áreas que não têm necessidade de aporte no momento para outros setores que precisam de atenção.
Mesmo com a informação sobre o remanejamento, as secretarias de Saúde aguardarão orientações do Conselho Estadual de Secretários de Saúde e do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde. A ideia é que os órgãos esclareçam os pontos para que não fiquem dúvidas sobre o procedimento.
O secretário de Saúde de Mogi das Cruzes, Marcello Cusatis, avaliou que a decisão do Ministério da Saúde vai colaborar para reforçar os investimentos nas áreas prioritárias. "Essa é uma mudança que visa dar mais flexibilidade à Secretaria de Saúde e à Prefeitura. Antes, os repasses eram divididos em cerca de 18 blocos, eles eram muito amarrados. Temos, por exemplo, no orçamento de 2017, um valor de R$ 5 milhões para a Vigilância em Saúde, que está parado, não podíamos usar em outro local, sob o risco de ser processado por improbidade e ter que devolver esse dinheiro", informou. 
Cusatis esclareceu que já está sendo planejado a utilização das verbas paradas em áreas deficitárias. Uma das ações deve ser o reforço no atendimento de especialidades, que estiverem com filas de mais de 30 dias de espera, como psiquiatria e oftalmologia, além da compra de novos medicamentos.
O orçamento da Saúde para 2018 está orçado em R$ 274.075.681,00,
deste total, 32% (R$ 88.556.018,95) são provenientes de repasses do governo Federal, e são esses recursos que serão flexibilizados. O secretário esclareceu que já está em contato com a Secretaria de Finanças para discutir as mudanças. "Agora, a responsabilidade do secretário de Saúde quadruplica. Se ele não planejar e se adequar à nova legislação, não vai conseguir atender à demanda e vai trocar os pés pelas mãos", ressaltou.
A Secretaria de Saúde de Suzano se posicionou favorável à mudança. "A mudança do modelo de financiamento do SUS (Sistema Único de Saúde) facilitará o repasse de verbas e o gerenciamento de recursos, possibilitando maior agilidade na realização de programas e iniciativas que beneficiem a população. A pasta está trabalhando para abordar o novo modelo de financiamento".
Poá informou que já está planejando ações em cima das alterações. "Foi uma decisão positiva, e estamos discutindo diversas ações que serão colocadas em prática em 2018. Esse novo formato de financiamento certamente oferece mais liberdade para aplicação dos recursos, levando em consideração as necessidades encontradas em Poá na área da Saúde".
A Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos disse que várias características serão levadas em conta para distribuição dos recursos. "O município encontra condições para elaborar o seu planejamento na esfera da saúde com a possibilidade de reforçar o investimento em programas de maior relevância à população, drenando recursos de áreas que no momento não teriam necessidade de aplicação financeira conforme proposto pelo Ministério, relembrando ainda que o percentual mínimo de aplicação para a saúde permanece inalterado".