O número de afogamentos em represas e lagoas da região foi de 34, apenas no ano passado. Os meses com mais casos registrados foram janeiro e dezembro, de acordo com dados do gabinete de operações do 17º Grupamento do Corpo de Bombeiros. No Alto Tietê, os locais com maior incidência de afogamento são a represa de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes, e a Lagoa Azul, em Suzano.
Durante o Verão, que é o período com maior índice de afogamentos, muitos procuram represas e lagoas para passar o dia com a família, como é o caso de Inailde Miranda Lopes, de 40 anos, que aproveitou as férias escolares da filha para ir à represa de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes. No entanto, ela diz saber dos riscos e que costuma alertar a criança. "Minha filha tem cinco anos e, desde já, ensino que não pode nadar muito fundo aqui e que também ela sempre fique comigo, para não se perder", afirmou a dona de casa.
Somente em setembro do ano passado, houve um aumento perceptível nos casos de afogamentos na região, onde foram anotadas pelos bombeiros seis ocorrências ao todo, sendo que em agosto não foi registrada nenhuma ocorrência.
Ao analisar informações anteriores, de 2016, é possível notar que os meses com maior número de casos foram janeiro, fevereiro e dezembro, também época de férias e de altas temperaturas.
As recomendações indicadas pelos bombeiros são manter as crianças por perto, não ficar próximo a áreas costeiras e pedras, para não ter o risco de escorregar e ser derrubado por ondas, no caso de praias. Eles ressaltam que, em caso de pânico, a ação aconselhável é tentar boiar e, além disso, que é importante evitar ingerir bebidas alcoólicas e comer em grandes quantidades antes de entrar na água, para não ter congestões.
Muitos já sabem dessas recomendações e, por isso, tentam repassar para outros banhistas, assim como José Pires Barbosa, 64, que é dono de uma barraca de espetinhos e bebidas há três anos na represa de Taiaçupeba. Ele contou à reportagem que tenta alertar os frequentadores do local.
"O pessoal que vai mais para o meio da represa acaba se afogando. Tento avisar, mas alguns não me ouvem", afirmou o vendedor.
Barbosa comentou que, no ano passado, conseguiu resgatar um casal que estava pedindo ajuda e estava quase se afogando.
O medo, aliás, evita que muitos se afoguem, como é o caso de Josiane de Souza, 33, que afirmou que não pretende entrar na água, pois fica assustada e precisa cuidar de sua filha. "Vim com meu marido, pois ele quis vir pescar, e vi que tem algumas crianças que entram na represa com os pais, mas eu não teria coragem, então não me arrisco", concluiu ela.
* Texto supervisionado pelo editor