O total de apreensões de menores de idade, feita pela Polícia Militar em Mogi das Cruzes, representa 16,5% do total de detenções realizadas pelo 17º Batalhão nos dez primeiros meses do ano. Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), e valem tantos para as apreensões realizadas logo após o crime, quanto para os casos em que o recolhimento do menor é pedido junto ao judiciário.
No período entre os meses de janeiro a outubro, 325 entre 1.972 delitos, foram causados por menores. Este número está dividido entre 303 apreensões em flagrante e 22 por mandados oficiais da Justiça.
Os dados apurados pela reportagem junto à SSP podem indicar uma ligação entre o ingresso dos menores ao mundo do crime à evasão escolar, segundo um levantamento que apontou um índice alto de desistência do ensino. Números divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que apenas 58,5% da população até 19 anos conclui o ensino médio, restando uma taxa de 41,5%, representando todos que abandonam os estudos antes do tempo.
Para o sociólogo Afonso Pola, ao analisar esses dados é possível identificar uma generalização no país, já que há dois possíveis cenários onde esses adolescentes se encaixam. "Podem estar em um ambiente de violência ou realmente na prática de crimes" Pola explicou que algumas vezes, jovens que moram em periferias sofrem com a violência, mesmo se não estiverem envolvidos em crimes, a qual pode ser por parte da comunidade ou até mesmo da polícia.
O sociólogo reforça que podem ocorrer problemas, principalmente com a crise econômica, que auxilia no aumento dos índices criminais, já que o desemprego também atinge o jovem. "As mudanças causadas são intensificadas e impactantes na sociedade", Pola ainda acrescenta que, a entrada precoce das crianças e adolescentes no mercado de trabalho faz com que abandonem a escola por excesso de tarefas.
Dessa forma, o ciclo de pobreza se repete, segundo o sociólogo, pois os jovens não conseguem prosperar e encontrar empregos com salários melhores, já que não possuem o ensino médio completo.
Por fim, ele também apontou que é necessário que o Estado auxilie e que as políticas públicas sejam articuladas para proporcionar saúde, esporte e lazer para as crianças e adolescentes. Assim, possam ter mais oportunidades e melhores expectativas para o futuro.
* Texto supervisionado pelo editor