O presidente da Câmara de Mogi, o vereador Carlos Evaristo da Silva (PSD), fez um balanço de sua gestão à frente do Legislativo em 2017. Ele ressaltou que seu legado será ter realizado uma boa administração em período de dificuldade financeira.
Para Silva, a homologação e contratação dos funcionários concursados e a demissão dos comissionados, foi um dos desafios à frente da presidência, bem como a implantação do Portal da Transparência. O vereador afirmou que deixará a casa em ordem para o vereador Pedro Komura (PSDB), que foi eleito para o cargo.
Mogi News: Como foi o período na presidência da Câmara?
Carlos Evaristo da Silva: Foi uma experiência impressionante. Acho que todos os vereadores, em algum momento, deveriam ter a oportunidade de ser presidente e participarem de maneira mais direta na administração da Câmara. Aprendi muito e pude testar minha capacidade administrativa.
MN: Quais foram os principais desafios durante a gestão?
Silva: Tive muitos. Entre eles, as demissões de funcionários antigos, por causa de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que havia com o Ministério Público. Teve o concurso, que homologuei e fiz o chamamento. Não consegui chamar todo mundo por questões econômicas. Também teve o desafio do Portal da Transparência, que era um tabu, especialmente por expor cargos e salários. Conseguimos modernizar a TV Câmara, e com isso aumentar a audiência.
MN: Quais melhorias foram implantadas na TV Câmara?
Silva: Fizemos uma parceria com uma ONG para inserir material educativo. Isso traz mais gente para assistir. Não é uma audiência para aparecermos, mas para informar a população. A Câmara de Mogi é aberta para a população. Hoje, todo mundo sabe o que você está fazendo, porque a televisão deu essa abertura.
MN: Como foi administrar a Câmara em um período de crise?
Silva: Conseguimos baixar os valores de alguns contratos em função da crise financeira. Economizamos bastante dinheiro para o Legislativo, que será utilizado pelo Executivo para fazer obras necessárias para a cidade. Na Câmara, temos a folha de pagamento, contrato de serviços que são prestados, material de consumo, veículos, combustível e se torna mais difícil o recurso. Se não administrar bem, você não consegue vencer o ano.
MN: Não conseguiu executar alguns dos seus planos?
Silva: Tinha muitas coisas que queria fazer, que eram necessárias, mas que não consegui. Acho que a marca da minha gestão é ter administrado com dificuldade financeira e ter feito isso bem. Precisamos de uma reforma no plenário, o ar-condicionado do local é um sistema que hoje custa uns
R$ 400 mil e vive dando defeito. Tinha o desejo de digitalizar tudo na Câmara, mas isso custa caro. Esse processo não é simples, você tem licitar e contratar, isso demora cerca de 4 meses. Por isso, um ano é muito pouco.
MN: Como foi a relação com a Prefeitura?
Silva: Trabalhei em bastante harmonia com o prefeito Marcus Melo (PSDB). Fazia pelos menos quatro reuniões por mês com ele. Isso me fez ver o Executivo por dentro, de uma forma mais detalhada. Quando chegou os projetos polêmicos, foi o momento de conversar, vereador por vereador. O prefeito também chamou bancada por bancada e conseguimos aprovar os projetos polêmicos, mas necessários para a cidade. O reajuste da Planta Genérica de Valores (PGV), por exemplo, não é que vai aumentar 60% para todo mundo, sã os locais que supervalorizaram. Alguns lugares vão manter o valor, outros que terão gratuidade e gente que vai passar a pagar menos IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
MN: Como você deixa a presidência da Câmara?
Silva: Saio satisfeito por ter essa oportunidade, pela confiança que os vereadores tiveram em mim, a segurança na minha capacidade de administrar e pelo apoio. A carga de trabalho é muito pesada, de muitas horas por dia, mas deixo o cargo com muita satisfação, com a sensação de dever cumprido, de ter dado minha parcela de contribuição para a cidade e para o Legislativo mogiano. Deixo também um agradecimento aos funcionários da Câmara.
MN: Quais os desafios que o novo presidente Pedro Komura (PSDB) enfrentará em 2018?
Silva: Temos algumas questões administrativas e burocráticas. Poderia dizer que ele pega uma Câmara muito mais fácil de administrar do que peguei. Não por culpa do presidente anterior, mas porque existiam muitos problemas a serem resolvidos nesse ano que tive que enfrentar. Resolvi muitos e não deixei nada para trás. Procurei chamar a responsabilidade de todas as questões.
MN: Pretende disputar a presidência em outra oportunidade?
Silva: No momento não pretendo, tenho outros caminhos pela frente. No entanto, não é uma possibilidade descartada no futuro. Nessa gestão, temos alguns acordos que precisam ser cumpridos.