O prefeito Marcus Melo (PSDB) fez um balanço de seu primeiro ano à frente da Prefeitura de Mogi das Cruzes. Para ele, o grande desafio dos últimos doze meses foi manter todos os serviços funcionando em um período de crise econômica, com queda de arrecadação dos impostos e uma frustração orçamentária de R$ 60 milhões.
De acordo com o tucano, uma das grandes preocupações como administrador é capacitar os jovens mogianos e elevar o número de pessoas com ensino superior. Para 2018, o prefeito promete anunciar, em janeiro, um plano de investimentos e obras. Entre eles está a construção de um Centro Municipal de Programas Educacionais (Cempre) em Jundiapeba - será a terceira unidade no distrito.
Com a retomada da economia e o aquecimento dos investimentos, Melo informou que pretende encaminhar no próximo ano para a Câmara o projeto de Polo Gerador de Trafego (PGT), que vai fortalecer as contrapartidas das empresas com o município.
Mogi News: Como foi seu primeiro ano como prefeito?
Marcus Melo: Foi um ano de muito aprendizado, de aprender a exercer a função de prefeito. Por mais que tenha experiência de trabalhar aqui e ter ajudado o Marco Bertaiolli (ex-prefeito) em seus dois mandatos, a função de prefeito é diferente. Mas fico muito feliz em dizer que as coisas estão no caminho certo.
MN: Qual foi seu maior desafio neste ano?
Melo: Foi manter tudo funcionando. Mogi teve grandes conquistas nos últimos anos. Quero destacar a Saúde e Educação, que são necessários onde a população precisa, onde as receitas não estão sendo compatíveis com esses investimentos. Tivemos que apertar os cintos, mas nenhum serviço parou. Isso é muito importante, o nosso desejo é continuar melhorando cada vez mais.
MN: Imaginava que seria difícil?
Melo: Sabia que seria um ano difícil, mas nem tanto. Tem sido bastante complicado manter o que tem. Administrar é fazer escolhas todos os dias, e Mogi é uma cidade muito grande com bastante particularidades. O prefeito é um grande zelador. Se olhar em 2017, não tivemos um grande problema, o ano foi muito positivo por mais que tivemos obstáculos, mas a cidade continuou avançando.
MN: Fechará no azul?
Melo: A frustração orçamentária está em torno de
R$ 60 a R$ 70 milhões. Conseguimos com repasse reduzir o deficit e a execução orçamentária está dentro daquilo que são compromissos da Prefeitura. Temos ainda um pequeno atraso com os fornecedores, o que nunca ocorreu em Mogi, mesmo no ano que não tivemos grandes investimentos, ou seja, manter o que tem hoje demanda muitos investimentos, que são necessários. 
MN: As renegociações dos contratos ajudaram?
Melo: Já vínhamos fazendo isso nos últimos anos, inclusive, era eu que fazia parte da comissão da própria Prefeitura, que realizava o diálogo com as empresas e os fornecedores. Tivemos que apertar mais o cinto, contratos foram renegociados, valores reduzidos, controlamos hora extra, energia elétrica, água, combustível e custeio de maneira geral. Conseguimos renegociar um contrato de reajuste de R$ 22 milhões para R$ 12 milhões e parcelamos para o ano que vem. A folha de pagamento de outubro caiu de R$ 23 milhões para
R$ 21 milhões.
MN: Alguns reajustes nos impostos foram feitos nas últimas semanas. Como tomou essa decisão?
Melo: Resumo essa questão como necessária. Precisamos fazer essa equação para manter tudo funcionando. As pessoas precisam entender que a qualidade que Mogi oferece demanda um investimento. A cidade poderia fazer a opção de não mexer com nada e se tornar um município como os outros, que não oferecem os mesmos serviços. Os tributos não são do prefeito, eles retornaram em forma de atendimento na Saúde, Educação e Segurança, que é o grande desafio para os próximos anos. Os reajustes propostos vão permitir que a cidade possa fazer alguns novos investimentos. É natural que sempre precisamos de recursos e vamos buscar junto aos governos Estadual e Federal. 
MN: Quais foram suas principais obras nesse ano?
Melo: Fizemos a pavimentação em Jundiapeba, distrito que já recebeu muitos investimentos nos últimos anos. Estamos mantendo a cidade funcionando, com equipes de tapa buraco e ampliamos a zeladoria da cidade com o Cuida Mogi. Atendemos vários bairros que não tinham atenção que conseguimos dar agora. Temos a avenida das Orquídeas, que será uma referência para toda região, que vai desafogar o trânsito. Nesse ano, ainda colocamos um projeto das novas creches que está em licitação.
MN: Existe um cronograma para mais obras?
Melo: A cidade é dinâmica. As demandas precisam ser atendidas pela administração municipal. Vamos construir mais creches, adequar mas unidades de saúde, construir postos de saúde. Mogi tem uma questão que precisa ser resolvida, que é a Maternidade Municipal, estamos trabalhando para resolver isso nos próximos anos. Contamos ainda com demanda de algumas especialidades que não são contempladas pelo governo do Estado, que atenderemos. A população precisa ser atendida independentemente de quem seja a responsabilidade.
MN: A Maternidade Municipal é a grande preocupação na saúde?
Melo: A questão é a UTI Neonatal. O custeio disso acaba sendo grande. A cidade cresceu e a Santa Casa não consegue atender a demanda, tanto é que nessa semana, novamente, estamos com leitos da UTI Neonatal superlotados. Já falei com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e com o ministro da Saúde (Ricardo Barros). Teremos que resolver essa questão.
MN: Quais serão as obras para o ano que vem?
Melo: Em janeiro vamos anunciar os novos projetos de 2018 para os próximos anos.
MN: Acredita que a economia vai melhorar?
Melo: A Prefeitura é um reflexo da atividade econômica de maneira geral. Todas as perspectivas são para que o próximo ano e, especialmente em 2019, a situação melhore. Temos a questão da crise moral e política. Isso gera um problema econômico muito grande.
MN: Acredita que a possível candidatura e eleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para presidente ajudará Mogi?
Melo: A pessoa eleita presidente precisa olhar todos os estados e municípios, mas o Alckmin conhece Mogi, esteve três vezes neste ano na cidade. É natural que se tenha um relacionamento mais próximo.
MN: Se acha um prefeito 'tecnológico'?
Melo: O mundo em que estamos vivendo é tecnológico. A Prefeitura de Mogi estava esperando o seu momento, e encontramos, mas temos muita coisa que queremos avançar. Estive no BrazilLAB e podemos conhecer novas aplicações para fazer o desenvolvimento local. A Prefeitura vem colocando todos os esforços para facilitar o dia a dia. Um destaque são os aplicativos que lançamos (ônibus, Semae, Ouvidoria, entre outros).
MN: A mobilidade urbana deve ter investimentos?
Melo: Estamos conseguindo fazer um grande eixo de desenvolvimento com a avenida das Orquídeas. Uma boa notícia foi a duplicação da Mogi-Dutra. Temos também a passagem subterrânea, no centro de Mogi, que vai melhorar a mobilidade. Agora, estamos buscando recursos para concluir um dos trechos do anel viário da cidade, da via Perimetral. A ideia é ligar a Mogi-Bertioga com a Mogi-Salesópolis. Quando melhoramos o acesso, o desenvolvimento vem junto.
MN: O distrito do Taboão deve receber investimentos?
Melo: Esse é um grande atrativo da cidade. É um pleito que apresentamos ao governador. Existe uma Frente Parlamentar que tem trabalhado para angariar recursos.
MN: O que representa o título de Município de Interesse Turístico?
Melo: Estamos plantando agora e vamos colher em médio prazo. A Prefeitura vai capacitar e orientar para que os empreendedores desse segmento façam os investimentos. Esse setor tem tudo para crescer em Mogi.
MN: Qual é sua mensagem para os mogianos nesse fim de ano?
Melo: Quero pedir aos mogianos que continuem ajudando essa cidade a ser maravilhosa. Desejo que todos tenham um 2018 melhor que 2017, com bastante saúde e que possamos ao final de 2018 dizer que conseguimos avançar. Meu desejo é continuar avançando como fizemos nos anos anteriores.